Política

Ex-dirigente do Banco Rural não negociou empréstimos, afirma Thomaz Bastos

Ex-ministro da Justiça é advogado do réu José Roberto Salgado

Primeiro a falar na sessão desta quarta-feira do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro da Justiça e advogado Márcio Thomaz Bastos afirmou que seu cliente, o ex-dirigente do Banco Rural José Roberto Salgado, não teve participação nos empréstimos às empresas de Marcos Valério e nem ao PT. Salgado é acusado de participar do chamado núcleo financeiro do mensalão, viabilizando empréstimos fraudulentos para esconder a origem e o destino ilícito do dinheiro. Salgado responde pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas.

Thomaz Bastos argumentou que na época dos três empréstimos, tomados em 2003, Salgado ocupava cargo na área internacional do banco e só passou a atuar diretamente no setor de concessão de créditos em 2004. Ele informou que a pessoa responsável pelas operações em 2003 era o então vice-presidente José Augusto Dumont, que morreu em um acidente de carro em 2004.

O advogado disse ainda que o único papel de seu cliente foi renegociar a dívida com as empresas de Valério, sem colocar dinheiro novo. Thomaz Bastos informou que as dívidas do empresário ainda não foram pagas porque as agências de publicidade de Marcos Valério faliram assim que o mensalão veio à tona. A dívida de R$ 10 milhões do PT, de acordo com Thomaz Bastos, foi quitada, enquanto as dívidas de Valério estão sendo executadas na Justiça.

Assista ao julgamento ao vivo pela TV Justiça:



Outros dois réus a serem defendidos nesta quarta-feira também são ligados ao Banco Rural. As defesas de Vinícius Samarane, ex-diretor do banco e atual vice-presidente, e Ayanna Tenório, ex-vice-presidente, devem sustentar que seus clientes não participaram das negociações de empréstimos ou seguiram orientações de superiores. Sarame responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisão, e será defendido por José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça. Ayanna Tenório, cuja defesa será feita por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Outra defesa que deve ocorrer nesta quarta-feira no plenário do STF é a do deputado petista João Paulo Cunha (PT-SP), único dos denunciados que vai disputar as eleições municipais de outubro. Uma das acusações contra ele é de que ele teria recebido R$ 50 mil do "valerioduto" para contratar uma das agências de Marcos Valério quando presidia a Câmara. Ainda no início da disputa pela Prefeitura de Osasco (SP), Cunha afirmou que não deixaria de discutir o processo durante a campanha. Ele responde por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato e será defendido pelo criminalista Alberto Toron.

A última defesa prevista é a do ex-ministro de Comunicação Luiz Gushiken. De acordo com a acusação, ele teria autorizado um ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, a adiantar pagamentos da Visanet (fundo privado do qual o Banco do Brasil é um dos acionistas) para uma das empresas de Marcos Valério. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no entanto, pediu sua absolvição por não haver elementos ou indícios que justificassem a condenação. Ele será defendido por José Roberto Leal de Carvalho, que reforçará o argumento de que seu cliente é inocente da acusação de peculato.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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