A União Progressista, como foi batizada a federação entre PP e União Brasil, resultará numa grande força nos Legislativos pelo Brasil. No Congresso Nacional, contará com as maiores bancadas da Câmara, com 109 deputados, e do Senado, com 14 senadores, ao lado do PL. Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, formará a segunda maior bancada, com 11 parlamentares, ficando atrás apenas do PT/PCdoB, com 12 integrantes.
Nesta terça-feira, os dirigentes e principais lideranças das duas siglas devem se reunir, em Brasília, para aprovar o estatuto da federação e ratificar a aliança. Há expectativa para o anúncio de um desembarque da gestão federal. Os dois partidos têm ministérios ocupados no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Quanto à saída, há sim um clima. Há quase um consenso dentro do Progressistas. Não sei se vai ser tomada a decisão amanhã. Mas, se não for anunciada amanhã, em questão de dias será anunciada. inclusive, o próprio ministro Fufuca já sabe disso”, afirmou o deputado federal e presidente estadual do PP gaúcho, Covatti Filho.
André Fufuca (PP) é ministro dos Esportes. O União Brasil tem três ministérios: Comunicações (Frederico Siqueira), Integração e Desenvolvimento Regional (Waldez Góes) e Turismo (Celso Sabino).
No Rio Grande do Sul, Covatti Filho deve ser oficializado como presidente da federação. “Aqui no Estado, está apaziguado. Já fizemos reunião com as bancadas estadual e federal. Estamos em sincronia e harmonia. Depois da homologação, vai ter a criação da bancada da federação tanto em Brasília quanto no RS”, disse.
- Federação aumenta peso do PP e do União Brasil para eleições de 2026 no RS
- PP e União Brasil anunciam apoio à obstrução promovida pela oposição na Câmara e no Senado
- Federações se tornam uma das principais armas para eleições de 2026
A federação deve resultar em uma grande força municipalista. Nas cidades, a soma dos prefeitos das duas legendas totaliza 184, que representa 37% dos municípios gaúchos. São outros 161 vices e 1.535 vereadores.
“Votarei favoravelmente à federação. Vemos com excelentes olhos. Os colegas do União Brasil têm posicionamentos muito equilibrados. Consolida uma grande bancada. E, da mesma forma, nos municípios do interior. Um bloco gigantesco”, declarou o deputado estadual Guilherme Pasin (PP).
Pasin também concorda com o desembarque do seu partido do governo Lula. “O PP gaúcho é oposição ao governo federal. O presidente nacional também. Essa decisão nem deveria estar acontecendo. O PP não deveria ter cargos no governo federal.”
Harmonia na Assembleia e questões em aberto para a eleição de 2026
Deputado estadual do União Brasil, Thiago Duarte diz que há harmonia entre os partido na Assembleia Legislativa, mas destaca algumas questões abertas para futuro, principalmente envolvendo as eleições 2026.
“A convivência com o PP é boa. Temos uma relação próxima. Acredito que, na Assembleia, vai ser harmônico esse processo. O que está nebuloso é quais são as bases que essa federação vai ter, como vai funcionar nos municípios - em alguns temos preponderância em relação ao PP – e como vai funcionar a questão das vagas na próxima eleição”, lista Thiago.
Há a questão da proporcionalidade entre as duas bancadas. Como vai se construir essa questão para a próxima legislatura? Quantas vagas para concorrer o União Brasil vai ter? Quantas o pp vai ter? Temos uma relação umbilical com o governo do Estado. Como vai se portar essa federação na discussão da eleição estadual?”, questiona.
Apesar de ser base do governo Eduardo Leite (PSD) e ter a maior bancada aliada no Legislativo, o PP tem pelo menos dois candidatos ao Piratini, destacados como possíveis candidatos ao governo gaúcho: o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, e o próprio Covatti.
Thiago, contudo, defende uma composição com a atual gestão. “Essa federação vai ter candidato? Não vai ter? Defendo compor com o governo para evitar cairmos na radicalização tanto esquerda quanto direita. Colocaríamos em risco um projeto que não é de um partido ou de outro, é um projeto de Estado. Conseguimos um acordo para chegar aos 12% (do orçamento estadual) na saúde. O Estado caminha no eixo certo. Vamos arriscar isso agora?”