A Operação Lava Jato suspeita de um acordo entre políticos e empreiteiras na maior ofensiva do Congresso Nacional para tentar barrar as investigações sobre formação de cartel, desvios e corrupção na Petrobras. Na avaliação dos investigadores, as recentes propostas de lei que dificultam o avanço dos processos revelam a "união de forças".
Para integrantes da Lava Jato, o "acordão" seria a "cartada final" de investigados e também de políticos e empresários que ainda não são foco do escândalo. A articulação estaria em curso para ser executada antes da conclusão da delação premiada da Odebrecht, prestes a ser assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
"É o abraço dos afogados", disse ao Estado um dos integrantes da força-tarefa. "Este fim de ano será o momento mais delicado dos quase três anos de investigações."
A alteração na Lei Anticorrupção, de 2013, no artigo que trata de acordo de leniência - a delação premiada de empresas - foi considerada publicamente pelos procuradores da República, em Curitiba, como uma ação velada para "enterrar" a Lava Jato.
O substitutivo debatido no Congresso na semana passada estipula que executivos que fecharem acordo de leniência administrativo serão isentos de imputação de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, que têm previsão de pena de prisão. Os procuradores criticam também a proposta da Lei de Abuso de Autoridade, defendida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
"A cultura da corrupção está acuada e está reagindo", afirmou o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima. "Essa é uma reação que também aconteceu na Itália (contra a Operação Mãos Limpas). A economia está pedindo para que a situação não piore e atribuindo à Lava Jato uma culpa que não é nossa." Lima não comenta a delação da Odebrecht.
Força-tarefa vê "acordão" para barrar investigações
Procuradores consideram fim de ano como momento mais delicado das investigações