Política

Gilmar Mendes afirma que "não cabe a procurador" pressionar o STF

Ministro criticou publicação de denúncia contra José Dirceu em dia de julgamento do habeas corpus

Ministro criticou publicação de denúncia contra José Dirceu em dia de julgamento do habeas corpus
Ministro criticou publicação de denúncia contra José Dirceu em dia de julgamento do habeas corpus Foto : Antonio Cruz / Agência Brasil / CP
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou nesta terça-feira o anúncio do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba de nova denúncia contra o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato. Durante o julgamento em que a Segunda Turma do tribunal garantiu liberdade ao ex-ministro, Mendes disse que não cabe a procurador da República pressionar a Corte e classificou a apresentação da denúncia de "quase uma brincadeira juvenil".

Pela manhã, a força-tarefa de procuradores da Lava Jato no Paraná, chefiada por Deltan Dallagnol, apresentou nova denúncia contra o ex-ministro, na qual acusa Dirceu de receber R$ 2,4 milhões em propina. Durante entrevista coletiva, os procuradores citaram fatos que poderiam justificar a permanência de Dirceu na prisão.

Ao comentar o caso, Gilmar Mendes disse que, se a Corte fosse ceder à pressão do MPF, deixaria de ser Supremo, a última instância do Judiciário. "Há pessoas que têm compreensão equivocada do seu papel. Não cabe a procurador da República pressionar, como não cabe a ninguém pressionar o Supremo Tribunal Federal, seja pela forma que quiser. É preciso respeitar as linhas básicas do Estado de Direito. Quando quebramos isso, estamos semeando o embrião do viés autoritário", avaliou.

No julgamento, por 3 votos a 2, a Segunda Turma do STF aceitou pedido de habeas corpus feito pela defesa de Dirceu e reconheceu que há excesso de prazo na prisão preventiva, que chega a quase dois anos.