Política

Gilmar Mendes classifica divulgação de conversas com Aécio como "fofocagem"

Em Porto Alegre, ministro disse que conversou "sobre tudo" com Sartori

Ministro Gilmar Mendes esteve em Porto Alegre nesta segunda-feira
Ministro Gilmar Mendes esteve em Porto Alegre nesta segunda-feira Foto : Guilherme Testa
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou nesta segunda-feira como “fofocagem” e “assanhamento” a divulgação do relatório da Polícia Federal que apontou a realização de pelo menos 46 ligações entre ele e o senador Aécio Neves (PSDB/MG) por meio do WhatsApp entre 16 de março e 13 de maio deste ano.

Do total de chamadas, 22 foram completadas, uma delas em 25 de abril, dia em que o ministro suspendeu, a pedido da defesa do tucano, um depoimento que ele daria à PF. “Vamos reduzir isso ao plano em que realmente está. Isso é coisa de ‘fofocagem’ no plano das instituições. É um certo ‘assanhamento’, uma certa irresponsabilidade, só que feita não por ativistas, mas por gente que tem responsabilidade institucional: delegado, ministro, juiz. Isso não pode se fazer. É abuso de autoridade”, assinalou, durante rápida coletiva que concedeu no Palácio Piratini depois de almoçar com o governador José Ivo Sartori. O governador não participou da entrevista.

• Mendes desconversa sobre liminares que proíbem demissões em fundações

Trabalho Escravo

O ministro falou também sobre outra das polêmicas em que se viu envolvido na semana passada, após se manifestar sobre a portaria 1.129/2017, do Ministério do Trabalho, que alterou as regras de combate ao trabalho escravo no País. A portaria foi criticada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério Público Federal (MPF) e diversas outras entidades. A Secretaria de Inspeção do Trabalho do próprio ministério solicitou sua revogação. 



Mendes disse que ainda não esmiuçou a portaria, mas que considera que ela produziu um efeito benéfico, que foi trazer o debate. “O debate é útil para que tenhamos segurança jurídica, para que haja um critério objetivo, para dar segurança a todos que trabalham. Como vocês sabem, há exagero de todos os lados. É preciso dizer o que é trabalho escravo", disse. "Quando há uma lista de 250 itens que podem se caracterizar como trabalho escravo ou análogo a condição de escravo, já se torna bastante difícil. Você tem que perguntar se o seu empregado em casa não está em condições análogas ao escravo", apontou. 

O ministro afirmou que sua declaração da semana passada, quando disse “eu, por exemplo, acho que me submeto a um trabalho exaustivo, mas com prazer. Eu não acho que faço trabalho escravo”, era uma brincadeira. “Temos tido alguns exageros: se faltou lâmpada em um dormitório, a altura do beliche, se tem escada ou não. Por isso que eu brinquei: dependendo do fiscal, podemos ter trabalho escravo no próprio STF”, explicou.

Por duas vezes durante a coletiva em Porto Alegre, Mendes destacou que o trabalho escravo deve ser combatido e que é deplorável que ainda ocorra no País em pleno século 21. “Vamos assentar o seguinte: ninguém pode ser conivente ou complacente com o trabalho escravo. É preciso deixar claro o repúdio. Isso não está em questão.”

Almoço com Sartori

Sobre os temas tratados com Sartori, Mendes resumiu “conversamos sobre tudo.” O ministro não quis se manifestar a respeito da polêmica envolvendo as extinções das fundações estaduais e as novas ações que receberam liminares favoráveis a servidores na Justiça do Trabalho.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) tenta fundamentar a tese de que as novas liminares descumprem despacho anterior do ministro que, em 11 de outubro, concedeu ao Estado liminar suspendendo todos os processos em curso e os efeitos de decisões judiciais da Justiça do Trabalho da 4ª Região que condicionassem a extinção das fundações à conclusão de negociações coletivas com servidores.

A Frente Jurídica em Defesa das Fundações rebate argumentando que as novas ações têm outro objeto e, na verdade, prestigiam a liminar de Mendes. “Os caminhos da Justiça estão bem definidos. Cabe reclamação ao STF, que pode fazer a aferição. E tem que se saber se de fato há descumprimento ou se há um outro fundamento. Vamos examinar e não sei se serei o relator. Vamos aguardar", afirmou.

Biometria

O ministro veio a Porto Alegre para assinatura de um acordo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que preside, com o Governo do Estado. A partir de agora as informações relacionadas aos cadastros da população geridos pelas instituições serão compartilhadas. A medida permitirá o aperfeiçoamento do cadastro biométrico e biográfico do eleitorado gaúcho e a qualificação do cadastro de pessoas da Segurança Pública.