Política

Governo do RS adia concorrência para atualização do dique em Eldorado do Sul

Abertura das propostas foi novamente reagendada, desta vez para 30 de maio. Fundo para contenção de cheias na região Metropolitana tem R$ 6,5 bi disponíveis a espera da apresentação de projetos

Eldorado do Sul foi uma das cidades mais atingidas pelas enchentes de maio de 2024
Eldorado do Sul foi uma das cidades mais atingidas pelas enchentes de maio de 2024 Foto : Mauro Schaefer

O governo do Estado transferiu para 30 de maio a abertura de propostas do edital para atualização do anteprojeto de engenharia do sistema de proteção contra cheias na cidade de Eldorado do Sul. O município é um dos mais atingidos pela tragédia climática do ano passado.

O adiamento, publicado na página da Central de Licitações (Celic/RS), ocorre, conforme a documentação do processo, para que possam ser respondidas impugnações. É o segundo reagendamento. O primeiro ocorreu em 12 de maio, passando a abertura das propostas, inicialmente prevista para o dia 13, ao dia 26.

O valor da concorrência é de R$ 3,8 milhões, com critério de menor preço. O governo havia publicado o edital para a atualização do anteprojeto do dique em 28 de abril, com prazo de conclusão do objeto em 180 dias a partir da autorização para início dos serviços.

Em abril, o governo do Estado anunciou que a contratação da empresa vencedora do certame para a atualização será feita com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), e não com valores do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação à Eventos Climáticos Extremos (Firece). No Portal Nacional de Contratações Públicas, contudo, a fonte orçamentária não está informada. O Firece é o fundo que abriga os R$ 6,5 bilhões destinados pela União às obras de contenção contra cheias na região Metropolitana.

À noite, a Secretaria da Reconstrução Gaúcha informa que a impugnação mostrou improcedente pela área técnica e, por esse motivo, foi dada continuidade no processo.

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Após a tragédia climática do ano passado, as obras do dique em Eldorado do Sul e as do Arroio Feijó, em Porto Alegre e Alvorada, foram apontadas como entre as prioritárias para evitar novas cheias, e as duas nas quais os trabalhos teriam início primeiro, em função dos projetos serem os mais adiantados. Ambos foram contemplados com recursos do PAC (entraram no montante de R$ 6,5 bilhões que, depois, passaram a constituir o Firece).

Após constituir o fundo, em dezembro do ano passado a União depositou o valor total em uma conta na Caixa Econômica Federal (CEF). A gestão é compartilhada. Mas, para acessar os recursos, o governo do Estado precisa apresentar os projetos equivalentes e fazer os processos de licitação das obras. Em abril, os valores acabaram por ser alvo de polêmica (mais uma) entre o governador Eduardo Leite (PSD) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT), ex-ministro da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do RS.

Naquele mês, Leite enviou ofício à Casa Civil do governo federal solicitando que fosse liberada quase a metade do valor do fundo. O governador pediu R$ 3 bilhões para dar andamento às licitações. O pedido gerou reação de Pimenta. O deputado assinalou que o governador não podia solicitar antecipação de valores sem apresentar os projetos. Na sequência, o Comitê Gestor do Firece, vinculado à Casa Civil do governo federal, divulgou a Resolução 4: em 10 páginas, a resolução detalha como é operacionalizada a aplicação dos recursos do fundo.

Leite não insistiu na antecipação, e atribuiu a confusão à polarização política. Pimenta afirmou que a tentativa do governador era escandalosa. Três dias depois da Resolução 4, o governo gaúcho publicou o edital para a atualização do anteprojeto do dique de Eldorado do Sul. Os outros projetos para os quais se destinam os R$ 6,5 bilhões seguem sem datas estabelecidas.