Política

Governo do RS reavalia as opções após fracasso em leilão do bloco 2

Lote que abrange as rodovias do vales do Taquari e Caí não atraiu empresas; governador fala em "revisitar projetos"

Esta foi a segunda tentativa de levar o bloco 2 a leilão
Esta foi a segunda tentativa de levar o bloco 2 a leilão Foto : Raphael Nunes/EGR/CP

Após falhar na tentativa de levar a leilão o bloco 2 de concessões, o governo do Estado está, ao menos por ora, sem perspectivas para os próximos passos. Previsto para a próxima quarta-feira, 10, o certame do bloco 2 – que abrange as rodovias da região dos vales do Taquari, Caí e Região Norte – foi cancelado por falta de interessados.

A novidade pegou o governo de surpresa, mesmo essa sendo a segunda tentativa. A primeira vez foi em março deste ano, após uma devolutiva do Tribunal de Contas (TCE-RS) do edital. Na ocasião, o certame, que estava marcado para o dia 13 daquele mês, foi adiado pelo governador Eduardo Leite (PSD) para que os ajustes propostos pela Corte fossem efetuados. A mudança resultou em uma redução de R$ 0,01 na tarifa, passando de R$ 0,19 por km para R$ 0,18 por km.

Agora, o Palácio Piratini avalia quais são as próximas opções. Em entrevista a jornalistas na quarta-feira, Leite afirmou que deverá "revisitar os projetos", apontando duas possibilidades pelo cancelamento do leilão: preços "apertados", ou seja, aquém do desejado pelas concessionárias, e um ambiente político hostil – citando a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Pedágios da Assembleia Legislativa, na qual deve comparecer na segunda-feira.

Acontece que as concessões dos blocos 1 e 2, ainda não feitas, estão no radar das críticas dos pré-candidatos ao governo do Estado, à exceção de Gabriel Souza (MDB), vice-governador e o nome do Executivo na disputa. Assim, a tendência é de que esse "ambiente hostil" não arrefeça nos próximos meses, pelo contrário.

Além disso, o governo ainda está no processo de ajustes do bloco 1 – que engloba regiões Metropolitana, Litoral Norte e Serra. O lote também é alvo de forte resistência não apenas de quem almeja o governo, mas de prefeitos e lideranças regionais. Segundo o Estado, a modelagem segue em estruturação, sem qualquer previsão de recuo no plano de privatizações.

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CPI dos Pedágios

Relator na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as concessões de rodovias no Estado, Miguel Rossetto (PT), reiterou nesta quinta-feira que a presença de Leite é uma “agenda importante”. “Ele tem grande responsabilidade nesses programas de concessão. Nós vamos defender a suspensão do bloco 2 e do bloco 1 e uma revisão profunda ainda no bloco 3, especialmente por conta de uma situação insustentável em que as tarifas aumentam e não há nenhuma previsão de retomada de investimentos nas duplicações”, apontou.

Rossetto afirmou que vai apresentar a proposto de uso de recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) em obras no Vale do Taquari e na Região Metropolitana, como a duplicação da ERS-118 entre Gravataí e Viamão.