Política

Governo monta estratégia de resistência para tentar recuperar a esperança

Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, vai recorrer ao STF para anular processo de impeachment

Cardozo vai recorrer ao STF para anular processo de impeachment
Cardozo vai recorrer ao STF para anular processo de impeachment Foto : Marcelo Camargo / ABr / CP
Mesmo que a "guerra" pela defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff já tenha sido considerada pelo próprio governo como perdida, a ordem dada por Dilma é de resistir. Ela mesmo, na série de agendas que fez nos últimos dias, tem dito que vai lutar até o fim. A estratégia que está sendo montada passa principalmente pelas mãos do advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, a quem caberá os recursos com os quais o governo deve entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular o processo de impeachment que foi conduzido pelo agora presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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Embora as ações de Cardozo não estejam surtindo efeito positivo, o advogado-geral deve continuar insistindo juridicamente com todos os recursos possíveis. Um deles, que estaria engavetado como uma "tacada arriscada" é o de questionar no STF se aspedaladas fiscais, que Dilma é acusada de ter cometido e que embasam o pedido de impeachment, podem ou não ser consideradas crime deresponsabilidade. A estratégia é considerada perigosa, pois em caso de a Corte ratificar o crime toda a narrativa que tem sido usada por Dilma seria desmontada.

Além de Cardozo, os ministros mais próximos de Dilma também devem integrar o "exército" da presidente. Após a aprovação do relatório pela admissibilidade do impeachment pela comissão especial do Senado nesta sexta, o ministro do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner, reconheceu que o governo não tem muitas esperanças de conseguir reverter o resultado do plenário do Senado, que deve aprovar o afastamento de Dilma. Para ele, entretanto, no período de até 180 dias que Dilma ficará fora da presidência, há condições para o cenário ser revertido. "Vamos continuar trabalhando para provar a inocência da presidente Dilma. Temos certeza de que com mais tempo para a defesa no Senado a inocência ficará evidente", disse o ministro.

Wagner afirmou que o processo conduzido pelo agora presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, foi "manipulado" e continha "vícios". "Vamos mostrar a manipulação que houve em todo processo na Câmara", afirmou. "Vamos também agir junto ao Supremo mostrando que o processo chegou viciado ao Senado."

Ao ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, caberá a função de mapear a eventual disposição do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA) em acatar um recurso da AGU que pede o cancelamento da sessão do impeachment presidida por Cunha. Segundo deputados petistas, o ministro ainda não iniciou esse trabalho de aproximação, justamente, porque o substituto de Cunha é "uma incógnita" e há dúvidas de que haja tempo hábil para criar uma relação de confiança e mais proximidade com o deputado.

Maranhão, que é próximo de Cunha e inclusive esteve com ele nesta sexta-feira, votou contra o impeachment da Dilma. "Tudo que ele queria era ser alguém discreto e de uma hora pra outra todos os holofotes estão nele. É impossível saber como ele reagirá", afirmou um parlamentar petista.