Política

Governo tenta evitar obstrução da oposição para acelerar impeachment

Líder do DEM anunciou que partidos vão esperar o julgamento do do STF sobre comissão do impeachment

O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), informou há pouco que vai procurar partidos de oposição para tentar evitar obstruções das votações previstas para o plenário. A missão, transmitida pelo ministro Ricardo Berzoini, numa reunião de avaliação política na manhã desta quarta-feira, é barrar o movimento anunciado pelo DEM. 

"Temos matérias importantes para votar. Não é razoável que o Congresso Nacional fique paralisado. Estamos aqui para votar e não para brincar", disse Guimarães.

A decisão do ministro Luiz Edson Fachin, do STF, de suspender a instalação da comissão especial formada na Câmara dos Deputados para analisar o processo de impeachment gerou insatisfação entre oposicionistas, que anteciparam um recurso para impedir a anulação do processo e da eleição dessa terça.

"Decisão de corte superior se cumpre. Esse episódio estabiliza o caos. É uma vitória da democracia, dos ritos e dos ritmos de uma questão tão importante. Ninguém está acima da lei maior do país", rebateu o líder petista.

Na lista de expectativas do governo para além da Câmara estão as votações da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), que dependem de uma sessão do Congresso Nacional.

José Guimarães afirmou que o ministro Berzoini se comprometeu a dialogar com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), responsável por decidir dia e horário da sessão.

Oposição

Líder do DEM na Câmara, o deputado Mendonça Filho (PE) anunciou que os principais partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff decidiram obstruir as votações de projetos na Casa até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue em definitivo a decisão liminar do ministro Edson Fachin que suspendeu o processo de impeachment contra a presidente.

Mudança na liderança do PMDB

José Guimarães evitou comentar sobre a movimentação de parlamentares do PMDB, insatisfeitos com o governo, que reuniram número de assinaturas suficientes - 35 - para substituir Leonardo Picciani (RJ) da liderança do partido na Câmara por Leonardo Quintão (MG). 

Picciani é aliado do Palácio do Planalto e acusado pelo grupo de descumprir um acordo com a bancada na indicação de nomes peemedebistas que comporiam a comissão especial do impeachment.

"A questão do PMDB é um problema interno e é evidente que o partido buscará a melhor solução. O líder Picciani tem sido muito correto, franco, transparente e dedicado. Do ponto de vista de 2015, é a principal surpresa positiva. É um líder eficiente", acrescentou.