Política

Grudada na TV, população acompanha votação do impeachment

Sessão que decide afastamento de Dilma deve se estender até a madrugada

Taxista Cristian Camacho acompanhava o desenrolar da votação no Senado pelo televisor no painel do veículo
Taxista Cristian Camacho acompanhava o desenrolar da votação no Senado pelo televisor no painel do veículo Foto : Ricardo Giusti
A sessão no Senado Federal que analisa o afastamento da presidente Dilma Rousseff já está no terceiro turno do dia e obriga os gaúchos a buscarem alternativas para acompanhar o desfecho do processo. Trabalhando em uma banca de revistas desde 1994, em Porto Alegre, Rafael Figueira Maiser, 44 anos, sintonizou durante o dia um canal de televisão pelo celular para acompanhar a votação dos senadores. Entre o atendimento de um cliente e outro, Maiser espichava o olho para o celular. “Quero que eles cheguem logo a uma definição. Com essa instabilidade política, o Brasil não vai conseguir progredir. Fico de olho para saber que medidas vão ser tomadas, já que tudo influencia a economia”, diz. Para combater a queda de faturamento na banca, que já chegou a 20%, Maiser tenta explorar do melhor jeito a exposição das capas das revistas. “Nunca tinha visto as revistas se posicionarem tão claramente como agora, a favor ou contra o governo”, avalia.

O taxista Cristian Camacho, de 43 anos, também acompanhava o desenrolar da votação no Senado pelo televisor no painel do veículo. “O serviço está muito devagar por causa da crise. Enquanto espero passageiro, passo o tempo assistindo TV”. Mas, Camacho garante que já está incomodado com o exagero de informações sobre o tema. “As notícias mudam toda hora. Me interesso pelo assunto, mas já saturou”. Ele afirma que, a cada dez passageiros que embarcam no seu táxi, nove “puxam assunto” sobre o momento político. “Eu não me posiciono quando estou com passageiro. Não bato de frente com ninguém. Sobre futebol, religião e política é melhor não discutir”, ensina. Para Camacho, na política tinha que acontecer o mesmo que a EPTC está fazendo em relação aos maus taxistas. “A EPTC está eliminando quem está respondendo por crime. Na política, o ideal seria eliminar todos os fichas-sujas na próxima eleição”.

Em um dos restaurantes da Rua dos Andradas, o televisor mantém-se ligado na TV Senado. Almoçando no local, Sandra Regina Rodrigues, 42 anos, ficou de olho nos pronunciamentos. “Gosto de estar a par e criar uma consciência crítica, porque tenho filhos e neto e quero um Brasil melhor para eles”, diz ela que está em busca de emprego. “Era auxiliar de cozinha, mas agora vou partir para os serviços gerais porque tem mais chance de conseguir alguma coisa”, diz. Em uma das confeitarias do Mercado Público, a caixa Josélia da Silva, 38 anos, observava o burburinho entre os clientes. Sem poder trabalhar com o celular em mão, ela acompanhava a votação dos senadores pelos boletins da televisão. “Saindo a Dilma ou não, acho que não vai fazer muita diferença. O que eu sei é que terei que continuar trabalhando para pagar minhas contas”.