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Segundo o procurador, Valdemar usou duas formas de lavagem de dinheiro. A primeira foi por meio de uma empresa chamada Garanhuns. Contratos fictícios com a agência de publicidade SMPB foram feitos para justificar o repasse de recursos em diversas transações. Outra forma de lavagem foi a usada por outros integrantes do esquema, os saques no Banco Rural. Para receber os recursos, o deputado usou como intermediário Jacinto Lamas. Homem de sua confiança, ele era responsável por sacar cheques nominais à empresa Garanhuns, além de fazer saques no Banco Rural. Valdemar teria ainda recebido R$ 1,5 milhão em mãos do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Outro integrante do PR que teria recebido recursos do esquema é o ex-deputado Carlos Rodrigues. Ele teria recebido R$ 150 mil por meio de um saque feito numa agência do Banco Rural em Brasília por um motorista.
PP teria usado corretora para receber mensalão
Gurgel ainda afirmou que a cúpula do PP se utilizou de uma corretora para receber recursos do mensalão. O procurador disse que havia um esquema de "profissionalização da lavagem de dinheiro", que tinha como destinatários finais representantes do Partido Progressista. Segundo ele, o advogado Rogério Tolentino, ligado ao publicitário Marcos Valério, tomou um empréstimo no valor de R$ 10 milhões do banco BMG, envolvido no escândalo. Esse recurso foi praticamente todo transferido para conta da corretora Bônus Banval. Os recursos do esquema viriam do Banco do Brasil, por meio do Visanet.
Gurgel disse que, logo depois, os recursos da corretora eram repassados para outra corretora, a Natimar, e dela para os destinatários finais, os integrantes da cúpula do PP: o ex-presidente do partido Pedro Corrêa; o ex-líder da bancada da Câmara dos Deputados José Janene (PR); e o ex-assessor do PP João Cláudio Genú.
Gurgel diz que reformas foram compradas pelo esquema
Além disso, Gurgel afirmou que as reformas tributária e da previdência foram compradas pelo esquema. Ele listou o que considera a correspondência entre a aprovação de propostas pela Câmara dos Deputados e o repasse de recursos para lideranças de partidos da base aliada do governo Lula. Segundo o chefe do Ministério Público, os repasses ocorriam dias antes ou logo em seguida às "grandes votações ocorridas no Legislativo entre 2003 e 2004".
Gurgel disse que o relatório final da CPI dos Correios, que investigou o pagamento de recursos a partidos da base aliada, documentos bancários e perícias feitas pela Polícia Federal comprovam esta tese. No caso da reforma tributária, votada no dia 24 de setembro de 2003, o procurador-geral disse que sete dias antes, o ex-assessor do PP João Cláudio Genú sacou R$ 300 mil das contas administradas pelo publicitário Marcos Valério. No dia da votação, Genú sacou R$ 300 mil e, após a votação, outros R$ 100 mil.
A conduta, segundo o chefe do MP, se repetiu com integrantes do PTB e do extinto PL, hoje PR. "Todos esses pagamentos estão documentalmente comprovados nos autos", afirmou. Outros projetos que foram comprados, segundo Gurgel, são a PEC Paralela e a Lei da Falência.