Diante do impasse, Valadares chegou a sugerir a suspensão do encontro, mas decidiu prosseguir o sorteio. Em seguida foram escolhidos os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), que recusaram imediatamente. O petista Humberto Costa, o sexto sorteado, concordou finalmente em assumir a relatoria, sob aplausos da comissão. Demóstenes tem dez dias, contados a partir de ontem, para apresentar sua defesa à representação. Caberá a Costa, como relator, instruir o processo e elaborar parecer que poderá sugerir a absolvição do parlamentar ou aplicação de sanções que podem chegar à cassação do mandato.
O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) foi eleito presidente do Conselho de Ética da Casa. Valadares ocupava o cargo interinamente desde terça-feira. Caberá a ele presidir o colegiado durante o processo de quebra de decoro parlamentar contra Demóstenes. Valadares foi eleito com 12 votos favoráveis e uma abstenção - dele próprio. Os senadores decidiram fazer logo a eleição depois que Demóstenes apareceu de surpresa na sala do Conselho, no início da sessão. Ele disse que, embora não fosse questionar qualquer nulidade durante o processo a que responderá, mas cobrou do colegiado o respeito ao regimento interno do Senado, para que fosse eleito um presidente.
Em um rápido discurso, Valadares elogiou a iniciativa dos integrantes do conselho, preocupados com "a legalidade e com o processo disciplinar". O senador disse que, durante sua presidência, ninguém será julgado sem amplas garantias ao direito de defesa. "Todos aqueles que forem representados nesta comissão terão direito a ampla defesa e será respeitado o princípio do contraditório", afirmou. "Não haverá preconceito, não haverá nem perseguição, nem discriminação", disse. "Haverá a busca da verdade e o fortalecimento do poder legislativo, algumas vezes tão incompreendido e tão mal tratado", falou.