Emocionado, Reis destacou que a medalha será guardada como recordação de um momento muito importante para o país. “Na verdade, esta distinção pertence aos 1,6 milhão de brasileiros que aderiram ao abaixo-assinado de apoio ao projeto que originou a Lei da Ficha Limpa”, frisou.
De acordo com o magistrado, a ficha limpa representará a sedimentação de uma representatividade política mais compatível com as aspirações internas e externas de um país que evolui tão acertadamente em outros campos. “Apenas um Parlamento formado por uma representação adequada poderá constituir a grande mesa de diálogo em torno da qual se consolidarão as ideias de democracia e República de que depende o nosso futuro”, enfatizou.
O juiz disse ainda que, essa conquista é, portanto, daquelas que reclamam continuidade. “Demanda a permanência da mobilização até o completo desfazimento do ciclo que atravanca nossa institucionalidade política, o qual só será mais diretamente enfrentado quando o Congresso Nacional, finalmente, se convencer do caráter inadiável da reforma do vigente sistema eleitoral”, afirmou.
O diretor-geral do Instituto Municipalizar - promotor do evento -, Pablo Antonio Tatim, destacou a importância do magistrado no cenário nacional. “O Brasil lhe é devedor. A democracia lhe agradece e o povo brasileiro há de reconhecê-lo”, observou. Cherini, por sua vez, argumentou que traçar regras mais eficazes para o processo eleitoral brasileiro e combater a corrupção eleitoral não são temas apenas do Parlamento, mas de toda a sociedade.
O presidente da OAB/RS, Claudio Lamachia, afirmou que a corrupção eleitoral é a maior das chagas que afligem o país, porque vicia a vontade popular, “tendo como fruto a tormentosa falta de legitimidade de alguns de nossos agentes políticos”. “Nesta esteira, que se agrava eleição após eleição, vemos o povo brasileiro dando cada vez menos crédito as instituições, o que é sobremaneira preocupante”, disse.
Lamachia destacou que veio em boa hora o projeto que impede a candidatura dos ditos “ficha suja” e se transforma em instrumento moralizante e saneador da política brasileira. “A sociedade deve estar mobilizada, atenta e vigilante para que não hajam quaisquer tergiversações na aplicação efetiva desde imprescindível diploma legal”, argumentou.
Segundo ele, entre 2007 e 2010 houve incremento de 100% na quantidade de processos que tramitam contra parlamentar no Supremo Tribunal Federal, passando de 200 para 400. “Mais uma eleição se aproximação. É preciso que a sociedade compreenda que voto não tem preço, mas consequência”, ressaltou.