Política

Imprensa internacional diz que impeachment de Dilma esconde problemas do Brasil

Afastamento definitivo da presidente gannhou amplo destaque

Imprensa internacional diz que impeachment de Dilma esconde problemas do Brasil
Imprensa internacional diz que impeachment de Dilma esconde problemas do Brasil Foto : Edilson Rodrigues / Agência Senado / CP
A imprensa internacional deu ampla cobertura sobre a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal nesta quarta-feira. O jornal The New York Times afirmou que a decisão do Senado encerra uma "luta de poder que consumiu a nação (brasileira) durante meses e derrubou um dos mais poderosos partidos políticos do hemisfério ocidental". De acordo com o jornal, a votação de 61 votos contra 20 condena Dilma Rousseff por ter manipulado o Orçamento, mas, na verdade, a decisão esconde crescentes problemas econômicos da nação.

"Foi muito mais do que um julgamento sobre a culpa (de Dilma)", disse o jornal. "Foi um veredicto sobre sua liderança e as sortes que deslizam sobre o maior país da América Latina."

A rede de televisão CBS News afirmou que a decisão do Senado brasileiro "culmina a luta de um ano que paralisou a economia mais poderosa da América Latina e expôs fendas profundas" entre todos os setores da sociedade do Brasil, desde as relações raciais até as decisões sobre gastos sociais. Outra rede de televisão, a ABC News lembrou que Dilma Rousseff foi uma referência mundial por combater a corrupção, mas agora é ela própria quem está sofrendo o resultado de uma acusação de ter "supostamente manipulado as finanças do governo para esconder um crescente déficit na arrecadação.

Em sua edição americana, o jornal britânico The Guardian informou que a decisão do Senado fará com que Dilma Rousseff seja substituída pelos restantes dois anos e três meses de seu mandato por Michel Temer, um político de centro-direita, que estava entre os líderes da conspiração contra sua ex-companheira de chapa. O The Guardian fez um rápido balanço do governo de Dilma Rousseff. A publicação revelou que, apesar de nunca perder uma eleição, Dilma sofreu com a redução do apoio político junto à sociedade e ao Congresso, em razão da crise econômica, da paralisia do governo e de um escândalo de corrupção maciça que implicou quase todos os principais partidos.

"Por mais de dez meses, a líder esquerdista lutou para desmentir acusações de que manipulou fundos para programas sociais e de que assinou decretos para alterar gastos orçamentários, sem a aprovação do Congresso. A oposição, conforme lembrou o jornal, alegou que estes constituíam um "crime de responsabilidade". Dilma negou e afirmou que as acusações sobre as operações-igualmente feitas em administrações anteriores  - foram forjadas pelos adversários "incapazes de aceitar a vitória de Partido dos Trabalhadores".