Política

Instalada Comissão Processante em Canoas para investigar denúncia sobre conduta de vereador

Segundo a denúncia, três assessores lotados no gabinete de Giovanni Martins da Rocha Costa (PSD) teriam recebido salários sem cumprir suas funções de maneira efetiva

Na segunda sessão do ano realizada na Câmara de Vereadores de Canoas, os parlamentares votaram e aprovaram, por 19 votos a 1, a instalação de uma Comissão Processante para investigar a denúncia apresentada contra o vereador Giovanni Martins da Rocha Costa (PSD). O pedido foi protocolado pelo advogado Jairo Wilson de Oliveira Silveira e aponta possíveis irregularidades na nomeação e atuação de servidores que atuam do gabinete do vereador.

Segundo a denúncia, três assessores lotados no gabinete de Giovanni Costa teriam recebido salários sem cumprir suas funções de maneira efetiva. O documento alega que eles atuavam, supostamente, em uma associação beneficente do município, durante o horário de expediente. A entidade, segundo o denunciante, seria gerenciada por um familiar do vereador o que, de acordo com a acusação, poderia indicar conflito de interesses e uso indevido da estrutura pública.

Diante das alegações, a denúncia sugere que a conduta do parlamentar possa configurar possíveis infrações como improbidade administrativa, corrupção e quebra de decoro. Os vereadores Gabriel Costantino (PT), Aloísio Bamberg (PSDB) e Rodrigo D'ávila (Novo), nomeados para compor a Comissão, deverão conduzir as apurações a partir de agora, dentro de um prazo de 90 dias. Antes da emissão do parecer, que poderá resultar no arquivamento da denúncia ou na cassação do mandato do vereador, o parlamentar denunciado tem direito a apresentar sua defesa, incluindo até 10 testemunhas.

Procurado pela reportagem, o vereador se manifestou através de nota:

"Nesta quinta-feira, surgiram acusações infundadas contra o meu mandato, incluindo alegações sobre funcionários fantasmas. Em uma clara tentativa de desestabilizar o trabalho sério e transparente que venho realizando por Canoas, um membro do meu próprio partido solicitou o meu impeachment. Quero deixar claro que os assessores mencionados como 'fantasmas' são, na verdade, assessores comunitários, profissionais que exercem suas funções diretamente nas ruas, ouvindo as demandas da população e levando informações sobre o trabalho do nosso gabinete."

Ainda, em nota, ele menciona a Resolução nº 691/2019, de 27 de dezembro de 2019, da Câmara de Vereadores, que define que o assessor comunitário tem a função de auxiliar a comunidade, participando de eventos e reuniões de sindicatos, associações de bairros, entidades educacionais, culturais, esportivas, ambientais, ligadas à saúde, ou atuar junto a organizações não governamentais (ONGs) que tratam de direitos coletivos, da criança, do adolescente, da mulher e dos animais. O vereador destaca que essas atividades externas fazem parte do trabalho oficial e são devidamente reconhecidas pelo regimento da Câmara.

"Recebo essa movimentação com indignação, mas não com surpresa. Desde o início do meu mandato, tenho enfrentado resistência por não me submeter a interesses políticos e por atuar de forma independente, sempre colocando Canoas e os canoenses em primeiro lugar. Reafirmo meu compromisso com a transparência e a ética. Todas as nomeações do meu gabinete são públicas, legais e regidas pelas normas da Câmara Municipal. Se há denúncias, que sejam investigadas com seriedade e não usadas como instrumento de perseguição política. Meu foco sempre foi e sempre será o povo de Canoas. Não aceitarei tentativas de silenciamento ou intimidação."