Política

“Já tivemos derrotas e vitórias”, afirma Randolfe Rodrigues e governistas minimizam derrota no Senado

Líder do governo no Congresso afirmou que relação com Alcolumbre não mudará

Randolfe, à direita, líder do governo no Congresso
Randolfe, à direita, líder do governo no Congresso Foto : Marcos Oliveira / Agência Senado / Divulgação CP

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que vai continuar "a mesma relação" do Palácio do Planalto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ser rejeitada pela Casa Alta, na noite desta quarta-feira, 29.

"Nós tivemos derrotas muito graves durante esses três, quatro anos e a relação do presidente da República com o presidente da Câmara e com o presidente do Senado não mudou e, dessa forma, não mudará. É a mesma relação institucional", minimizou Randolfe.

O líder do governo ainda afirmou que o presidente do Senado aguardou o voto de todos os senadores para fechar o painel de votação. "Não posso atribuir qualquer resultado à posição e à postura do presidente do Congresso".

Ele disse também que uma votação apertada na indicação de Messias já era esperada; logo, o resultado negativo não foi uma surpresa. A indicação de Messias foi mal recebida por Alcolumbre, que preferia para a vaga o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Indagado sobre a identificação de possíveis traições de integrantes de partidos da base, Randolfe respondeu que o governo não irá transformar a rejeição de Messias em uma "caça às bruxas". "Ninguém vai ficar perdendo tempo procurando saber como votou cada senador", disse.

Ele sustentou que "não existe crise enorme" no governo e considerou que esta foi uma circunstância de derrota natural do jogo político. Também voltou a dizer que houve interferência de questões eleitorais na votação.

"Nós estamos no mês de maio, praticamente, a alguns meses da eleição presidencial. Já temos uma pré-campanha eleitoral em curso. É óbvio que os notórios acontecimentos exacerbariam uma pressão aqui para a votação", afirmou.

A respeito de fala do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o líder do governo disse que o senador "tem que se preocupar em buscar voto na sociedade", não com o governo. "Ele tem que se preocupar em dizer para a sociedade brasileira por que o governo deles matou 700 mil pessoas", emendou.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi o primeiro ministro a se pronunciar sobre a derrota histórica sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na indicação do advogado-geral Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No X, Boulos disse que houve uma "aliança entre o bolsonarismo e a chantagem política". Ele também afirmou que o Senado saiu menor no que chamou de "episódio lamentável".

"A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável".

A declaração de Boulos ocorreu 12 minutos após o telão do plenário do Senado indicar a derrota histórica da indicação de Messias ao STF. A última vez que houve uma rejeição foi em 1894, há 132 anos.