Política

Jaques Wagner diz que provará inocência, mas evita comentar investigação

Senador afirmou que tem recebido respaldo de Lula

Jaques Wagner diz que provará inocência, mas evita comentar investigação
Jaques Wagner diz que provará inocência, mas evita comentar investigação Foto : Carlos Moura/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, afirmou nesta sexta-feira, 31, que provará sua inocência nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), mas evitou dar explicações sobre o caso.

"O inquérito, a investigação serve até para afastar a culpa. Então, eu tenho certeza que eu vou provar a minha inocência", declarou, em entrevista à Rádio Baiana FM.

Segundo o parlamentar, seu advogado recomendou que ele não comentasse o mérito da apuração para preservar seu direito de defesa. "Por orientação dele, para eu não sair daqui e tomar bronca do meu advogado, ele pede para eu não falar", disse.

Questionado sobre o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Wagner disse que tem recebido respaldo do chefe do Executivo desde a deflagração da operação e disse estar tranquilo em relação às investigações e citou trecho do voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

O senador também disse que permanecerá focado na campanha eleitoral enquanto o caso é apurado. "A Polícia Federal faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie, depois o magistrado vai julgar. Eu quero lhe dizer que eu estou muito tranquilo", afirmou.

Veja Também

A investigação

Relatório das investigações da Polícia Federal que embasou a operação policial Compliance Zero contra Jaques Wagner apontou a existência de 74 ligações entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também alvo das apurações. De acordo com os documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner e Lima conversaram por cinco horas e trinta minutos nessas ligações.

A PF observa que o senador e o banqueiro tinham "nítida preferência" por conversas telefônicas, em vez de mensagens. E que eles chegavam a se falar várias vezes no mesmo dia. Os diálogos compreendem o período de novembro de 2023 a maio de 2025.

Os documentos no processo mostram que Mendonça autorizou a PF a monitorar movimentos de celular de Jaques Wagner após a suspeita de vazamentos. O ministro citou que recebeu um pedido de audiência no seu gabinete no mesmo dia em que operação foi protocolada.

A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião "em hangar discreto" para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado a Lula.