O magistrado assumirá mandato de dois anos, a partir de novembro, quando o atual presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto, se aposentará compulsoriamente ao completar 70 anos. O vice-presidente da Corte será o ministro Ricardo Lewandowski, revisor da Ação Penal 470, conhecida como processo do mensalão.
Tradicionalmente, a presidência do STF é ocupada pelo ministro mais antigo da Casa que ainda não ocupou o cargo. Barbosa é ministro do STF desde 2003 e foi nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante quase 20 anos, atuou como procurador do Ministério Público Federal (MPF).
Homem discreto, Barbosa, de 58 anos, tem uma biografia de luta: nasceu na pobreza, realizou os trabalhos mais simples para pagar seus estudos e conseguiu se formar nas melhores universidades internacionais. Hoje é doutor em direito público pela Sorbonne, onde obteve três diplomas de pós-graduação entre 1988-92 e fala francês, inglês, italiano e alemão.
Num país com a segunda maior população negra do mundo depois da Nigéria e com o maior abismo entre ricos e pobres, Barbosa sempre denunciou o racismo e a desigualdade. "A eleição de Barbosa é um fato histórico, é muito raro encontrar no Brasil negros em posições de poder, nem nas empresas, nem nas universidade, nem nos governos", declarou à AFP Marcelo Paixão, coordenador do Laboratório de Análises das Relações Raciais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Com informações da AFP