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No primeiro dia de julgamento, na quinta-feira passada, Thomaz Bastos pediu a palavra para pedir o desmembramento do processo em relação a quem não tem foro privilegiado, mas o pedido foi rejeitado. Bastos levanta dúvidas sobre o fato de a Procuradoria-Geral da República insistir em usar provas colhidas nas comissões parlamentares mistas de inquérito (CPIs) durante o processo na Suprema Corte, mesmo que elas tenham sido desmentidas no curso da ação penal. Há precedentes no STF que impedem esse tipo de conduta. O ex-ministro também é apontado como um dos autores da tese de que o dinheiro do mensalão na verdade é caixa 2. Esse argumento tem sido usado por vários advogados.
Outros dois réus a serem defendidos nesta quarta-feira também são ligados ao Banco Rural. As defesas de Vinícius Samarane, ex-diretor do banco e atual vice-presidente, e Ayanna Tenório, ex-vice-presidente, devem sustentar que seus clientes não participaram das negociações de empréstimos ou seguiram orientações de superiores. Sarame responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisão, e será defendido por José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça. Ayanna Tenório, cuja defesa será feita por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Outra defesa que deve ocorrer nesta quarta-feira no plenário do STF é a do deputado petista João Paulo Cunha (PT-SP), único dos denunciados que vai disputar as eleições municipais de outubro. Uma das acusações contra ele é de que ele teria recebido R$ 50 mil do "valerioduto" para contratar uma das agências de Marcos Valério quando presidia a Câmara. Ainda no início da disputa pela Prefeitura de Osasco (SP), Cunha afirmou que não deixaria de discutir o processo durante a campanha. Ele responde por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato e será defendido pelo criminalista Alberto Toron.
A última defesa prevista é a do ex-ministro de Comunicação Luiz Gushiken. De acordo com a acusação, ele teria autorizado um ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, a adiantar pagamentos da Visanet (fundo privado do qual o Banco do Brasil é um dos acionistas) para uma das empresas de Marcos Valério. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no entanto, pediu sua absolvição por não haver elementos ou indícios que justificassem a condenação. Ele será defendido por José Roberto Leal de Carvalho, que reforçará o argumento de que seu cliente é inocente da acusação de peculato.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.
Com informações da Agência Estado e Agência Brasil