Política

Justiça encerra inquérito contra Eduardo Cunha em caso sobre suspeita de propina

Segundo o desembargador Ney Bello, processo foi trancado por 'ausência de indícios mínimos de materialidade delitiva'

Justiça encerrou inquérito contra Eduardo Cunha em caso sobre suspeita de propina
Justiça encerrou inquérito contra Eduardo Cunha em caso sobre suspeita de propina Foto : Antonio Cruz / Agência Brasil / R7 / CP

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) trancou o inquérito contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha no processo que investigava a suspeita de recebimento de propina no caso do áudio de Joesley Batista. A decisão é do desembargador Ney Bello, relator do caso, e acompanhada pela 3ª Turma.

A denúncia foi feita em 2017 pelo Ministério Público Federal (MPF), após o vazamento do áudio de uma conversa entre o então presidente da República, Michel Temer (MDB), e o empresário Joesley Batista. 

Na reunião, que aconteceu na garagem do Palácio do Jaburu, o executivo da JBS falou sobre um suposto pagamento a Eduardo Cunha, e Temer responde com a frase "tem que manter isso, viu?". Na avaliação do MPF, a declaração seria a confirmação de que Cunha estaria recebendo propina para não assinar um acordo de delação premiada.

Temer foi absolvido da acusação em 2019 por causa da "fragilidade das provas", e a defesa de Cunha entrou com pedido de extensão dos efeitos da absolvição, o que foi acolhido pelo tribunal.

Na decisão, o desembargador Ney Bello disse que "a mesma prova, que se mostrou frágil e insuficiente para determinar o prosseguimento da persecução penal contra Michel Temer, também constitui fundamento essencial para reconhecer a impossibilidade da continuidade das investigações contra o ora requerente, por ausência de indícios mínimos de materialidade delitiva".

Segundo o desembargador, não há dúvidas "de que se trata de fatos processuais que possuem a mesma origem, e de circunstâncias que se comunicam, pois estão relacionadas ao mesmo diálogo ocorrido entre Joesley Batista e Michel Temer".

Em nota, a defesa de Eduardo Cunha comemorou a decisão da Justiça sobre a acusação que considerou "absurda e sem qualquer justa causa". "Felizmente essa grave injustiça veio a ser corrigida pela acertada decisão proferida pelo TRF1", comentou.