Política

Linha do tempo mostra passagem de Paulo Pimenta no governo Lula

Gaúcho assumiu o cargo no início da gestão e deixa a função após dois anos

Paulo Pimenta durante visita do presidente Lula ao RS, à época na secretária de Reconstrução
Paulo Pimenta durante visita do presidente Lula ao RS, à época na secretária de Reconstrução Foto : Ricardo Giusti / CP Memória

Relembre como foi a passagem de Paulo Pimenta à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República nestes dois anos de governo.

  • Na formação do governo, no final de 2022, Paulo Pimenta foi escolhido titular da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Foi escolha pessoal de Lula. Pimenta era e é tido como o petista gaúcho mais próximo do presidente. Os laços entre eles se estreitaram no período em que Lula ficou preso em Curitiba e o gaúcho integrou o grupo pouco extenso dos que assumiram um papel de suporte e defesa irredutível do atual mandatário.
  • Na reunião do diretório nacional do PT realizada no final de 2023 já havia críticas à comunicação do governo, mas ainda limitadas às esferas internas.
  • Em março deste ano, após divulgação de pesquisas de avaliação do governo, aliados e integrantes do entorno do presidente renovaram críticas à comunicação, com ênfase na incapacidade de fazer chegar adequadamente à população iniciativas da União e resultados de seus programas.
  • Na metade de maio, após a tragédia climática, Lula criou a Secretaria Extraordinária para Apoio à Reconstrução do RS, com status de ministério, e data de validade: três meses. Nomeou Pimenta para chefiar a pasta. No lugar do gaúcho na Secom ficou, interinamente, Laércio Portela.
  • A mudança temporária para o Rio Grande foi identificada como de valorização de Pimenta, além de uma forma de o governo federal acompanhar a destinação do alto volume de verbas, e mostrar o quanto se empenhava no auxílio e reconstrução. Internamente, contudo, circulou a informação de que o ‘exílio’ funcionava como ‘sinal amarelo’, porque também atendia a desafetos do ministro dentro do governo e àqueles que desejavam observar o funcionamento da comunicação sem ele no comando.
  • Pimenta percorreu o RS, fez anúncios, organizou reuniões de ministros e manteve agenda intensa em solo gaúcho. Mas não chegou a esconder a contrariedade por estar longe de Brasília. Entre pares no Estado, o entendimento é de que não fez qualquer esforço para renovar sua permanência para além dos três meses iniciais.
  • As cobranças internas mais contundentes sobre sua atuação no ministério provisório, porém, dizem respeito a reação pouco enérgica à estratégia do governador Eduardo Leite (PSDB), que emplacou uma narrativa de reclamações constantes sobre a União, apesar das dezenas de bilhões de recursos recebidos. O governo federal destinou ao RS, em oito meses, R$ 65 bilhões para ações de reconstrução. É mais do que o dobro dos R$ 30,6 bilhões que estima economizar com todas as medidas do ajuste fiscal em 2025. Mas, de novo, por falhas na comunicação, não teria conseguido capitalizar as iniciativas, o que reverberou em Brasília. Aqui, há, na bancada do PT na Assembleia, uma queixa significativa, mas mantida muito reservadamente, sobre a questão.
  • Em outubro, quatro dias após o segundo turno das eleições municipais, e depois de reunião com Lula, o ministro fez circular a informação de que o presidente havia escolhido já os nomes para disputar o Senado e o governo no RS daqui a dois anos, sendo ele o designado para a primeira vaga.
  • O movimento repercutiu mal dentro do PT gaúcho, porque descumpria todos os ritos partidários. Gerou piadas internas: entre 27 unidades da federação, Lula teria se preocupado em definir os candidatos apenas no RS. Mas foi lido também como sinal de que Pimenta, antevendo a saída, tentava se antecipar, garantindo que terá, de qualquer forma, o aval de Lula para o Senado.
  • Ainda em outubro, o governo começou a sangrar devido às indefinições sobre o pacote do corte de gastos. Apesar da estrutura do ministério, a opção foi recorrer ao publicitário Sidônio Palmeira, agora cotado à Secom, para ajudar na forma de divulgação das medidas. A ação foi identificada como de enfraquecimento do ministro. Ao final, por uma série de motivos, incluindo as disputas internas, a recepção ao pacote ficou muito aquém do desejado. E, mais uma vez, apesar do envolvimento de outros atores, sobraram cobranças para a comunicação.
  • No início de dezembro, no encerramento do seminário nacional do PT em Brasília para discutir os desafios do partido, Lula, em pronunciamento virtual, criticou publicamente, e de forma ampla, a comunicação do governo. Entre outras declarações, disse que há um erro na área, e que seria obrigado a ‘fazer as correções necessárias.’
  • Nesta terça-feira, dia 7 de janeiro, houve a confirmação da saída de Paulo Pimenta e o ingresso de Sidônio Palmeira no cargo.