Política

Lula chama Temer de "margem de erro"

Ex-presidente sonha com a formação de um bloco de esquerda envolvendo PT, PSB, PDT e PCdoB para 2018

"PMDB e PSDB estão colhendo o ódio que plantaram", afirma Lula
"PMDB e PSDB estão colhendo o ódio que plantaram", afirma Lula Foto : Ricardo Stuckert / Instituto Lula / Divulgação / CP
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quarta-feira as denúncias contra o presidente Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), motivadas pelas delações da JBS. Lula afirmou que os dois estão "provando do veneno" que produziram e que o PMDB e o PSDB estão "colhendo o ódio que plantaram". O líder petista declarou ainda um governo que possui apenas 3% de aprovação não tem nada. "Temer é uma margem de erro". 

Na expectativa de ter a sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá nos próximos dias, o ex-presidente afirmou que já provou sua inocência e pediu provas para embasar uma condenação. Uma eventual condenação, se confirmada em segunda instância, impediria o petista de disputar as eleições.

"Você não pode só por conta de delação culpar, porque tem muito delator mentindo. Os procuradores da Operação Lava Jato estão numa encalacrada", disse Lula. "Eu já provei minha inocência, eu tô querendo é que eles provem minha culpa." Temer No dia em que o presidente Michel Temer (PMDB) apresenta sua defesa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Lula afirmou que a mesma regra que defende para si vale também para o peemedebista.

"Se tem uma acusação contra o Temer tem que ser investigada. Se ele for investigado, tem que ser julgado e, se for culpado, condenado. A regra é essa para mim, para ele, para você e para qualquer pessoa desse País", afirmou.

Eleições 2018

Lula afirmou que sonha em construir um bloco de esquerda progressista para disputar as eleições presidenciais em 2018. Em entrevista à Rádio Arapuan, de Campina Grande (PB), ele citou os partidos PT, PSB, PDT e PCdoB para construírem um "programa pragmático" no pleito.

O petista disse ainda que outros partidos de esquerda e "personalidades dignas" de outros partidos também podem se juntar ao bloco. "É muito difícil hoje imaginar que você possa fazer a aliança política que foi feita em 2010, mas é muito complicado também imaginar que um partido sozinho tem força para ganhar as eleições", declarou o ex-presidente.

O petista voltou a repetir que tem interesse em ser candidato a presidente da República em 2018, mas afirmou que não é certa sua candidatura. "Primeiro, vamos ver se sou candidato, se o partido vai me lançar candidato, depois é que vamos começar a conversar." Ele disse que não quer voltar a governar, mas a "cuidar do povo".