Política

Lula fala em se render: "Vou atender a vontade deles"

Ex-presidente discursou em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC

Lula foi carregado pelos manifestantes após seu discuso em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC
Lula foi carregado pelos manifestantes após seu discuso em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC Foto : Miguel Schincariol / AFP / CP
Em discurso após a homenagem a Marisa Letícia, o ex-presidente Lula falou pela primeira vez que irá se entregar para a Polícia Federal. "Vou atender a vontade deles", afirmou neste sábado em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC, em São Paulo. "Vou cumprir o mandado, mas todos vocês vão virar Lula. Eles têm que saber que a morte de um combatente não mata uma revolução", destacou. "Quanto mais me deixarem lá (na prisão), mais Lula nascerá neste país", afirmou. "Eu não estou escondido, eu vou lá para eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr". 

Segundo Lula, o povo brasileiro será o responsável por levar adiante os seus ideias enquanto estiver preso. "Não adianta me fazer parar de sonhar porque eu sonharei pela cabeça de vocês. Meu coração baterá pelo coração de vocês. Eu não vou parar porque eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia. Eu vou cumprir o mandado e cada um de vocês vão andar pelo País e vão fazer o que tem que fazer", disse. 

O ex-presidente lamentou a situação em que se encontra politicamente e acusou a imprensa pela condenação antecipada das autoridades. "Eu vivo o maior momento de indignação da minha vida. Não é fácil ver o que sofreu Marisa. Eu quero dizer que a antecipação da morte de Marisa foi a safadeza que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela. Esta gente não tem filho, não tem noção do que sente uma mãe vendo o filho sendo massacrado. Você não pode fazer um julgamento subordinado à imprensa. No fundo, você destrói a imagem das pessoas e depois vem um juiz dizendo que não pode ir contra opinião pública. Se não pode ir contra, então tira a toga e vai ser candidato", afirmou.

Ele ainda reforçou o pedido para que as autoridades mostrem as provas que o condenaram pelo processo do Triplex. "Eu não tenho medo deles e já falei que gostaria de fazer um debate com (juiz Sérgio) Moro com a denúncia que ele fez contra mim. Gostaria que me mostrasse alguma prova. Qual o crime que eu cometi? Tenho impressão que há muito tempo atrás era possível governar este País envolvendo milhões de pessoas pobres, criando empregos, levar os jovens da periferia para as universidades, diminuir a mortalidade infantil, levando leite, feijão e arroz para que crianças pudessem comer todos os dias. Se estes foram os crimes que eu cometi, eu vou continuar sendo criminoso neste País. Porque eu quero fazer muito mais", declarou.

Lula enfatizou que irá provar a sua inocência. "Se dependesse da minha vontade, eu não iria, mas eu vou. Façam o que quiser, os poderosos podem matar uma, duas ou 100 rosas. Mas jamais consiguirão deter a chegada da primavera", disse e reforçou: "A história vai provar que quem cometeu o crime foi o delegado, o juiz que me acusou e o Ministério Público".

"Não se entrega"

Militantes que estavam no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC subiram nas janelas e se espremem na porta do prédio principal para acompanhar o discurso de Lula na rua em frente ao prédio da sede. Um telão foi colocado no estacionamento do prédio e também atraiu vários simpatizantes. 

"Não se entrega!" foi o principal coro entoado pelos manifestantes que não exitaram em nenhum momento em gritar mensagens de resistência em apoio a Lula que retribuiu o carinho do público os motivando para continuarem resistindo à luta pela democracia.

Logo após o desfecho do discurso, ele se aproximou do público e foi carregado pelo povo. "Vocês vão perceber que eu sairei desta mais forte, mais verdadeiro e mais inocente, porque eu quero provar que foram eles que cometeram o crime. Por isso, eu sou muito grato. Eu não tenho como pagar a gratidão, o carinho e o respeito que vocês dedicaram pra mim nestes anos todos. Este pescoço não baixa, eu vou de cabeça erguida e vou sair de peito estufado de lá", encerrou.