Política

Mãe de Marielle passa mal e deixa plenário do STF aos prantos em julgamento de mandantes

Marinete da Silva foi amparada por Anielle Franco após citação da delação de Ronnie Lessa sobre o crime

Ela precisou ser atendida por bombeiros da instituição
Ela precisou ser atendida por bombeiros da instituição Foto : Gustavo Moreno/STF

A mãe da vereadora Marielle Franco, Marinete da Silva, deixou o plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aos prantos e apresentou sinais de mal-estar nesta quarta-feira, 25, segundo dia de julgamento dos mandantes do crime de execução da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

Ela precisou ser atendida por bombeiros da instituição. Marinete foi amparada pela filha e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, no momento em que o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, passou a citar a delação de Ronnie Lessa - executor confesso do atentado - em que foi feita a descrição do planejamento do assassinato.

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Mal-estar durante depoimento de Lessa

Um bombeiro do STF acompanhou as duas. A mãe da vítima foi atendida por dois bombeiros na antessala do plenário e contou com o apoio emocional de Anielle e da neta Luyara Santos.

Marienete relatou que o mal-estar pode ter sido provocado por um aumento de pressão devido ao estresse provocado pelo julgamento. Anielle e a mãe ficaram mais de quarenta minutos na área externa do plenário.

O pai, Antônio Francisco da Silva Neto, permaneceu no plenário acompanhando atentamente o voto de Moraes e só deixou o local rapidamente para ver o quadro da esposa e retornar com ela à sessão de julgamento.

Moraes vota pela condenação

Logo na abertura do voto, o relator apresentou sua interpretação sobre as motivações do assassinato da ex-vereadora. Moraes votou pela condenação dos quatro réus.

Ele afirmou que as provas colhidas pela Polícia Federal contra Chiquinho e Domingos Brazão são "coerentes" e "harmonizadas" e demonstram a "motivação" do crime, assim como a "forma de pagamento" do assassinato executado por Ronnie Lessa.

"Se juntou a questão política com a misoginia, o racismo, a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? Na cabeça misógina, preconceituosa, dos mandantes e executores, quem iria ligar para isso? 'Vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão'", disse.