Política

Maia critica STF por negar dados do inquérito de Cachoeira

Presidente da Câmara assegurou que instalará CPI para investigar as relações políticas de Cachoeira

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter negado ao Senado os documentos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e revelou uma teia de relações do empresário do jogo com políticos. Maia, que também solicitou as informações ao Supremo e ao Ministério Público, mas ainda não obteve resposta, avisou que não receberá bem essa negativa. "Eu estranho esse posicionamento do Supremo", disse Maia.

Nesta segunda-feira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi comunicado de que o Supremo não enviaria os documentos do inquérito, sob o argumento de que se trata de assunto sigiloso, protegido por lei. "Eu não acho que seja razoável por parte do Supremo negar (os documentos). Boa parte das informações é pública. Agora vir dizer que são sigilosas, me parece uma situação complexa", afirmou Maia. "Se as informações são sigilosas, por que chegaram à imprensa? Elas saíram do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Federal e não podem ser entregue ao parlamento. Isso gera dúvidas quanto ao critério que está sendo usado", questionou. "Não vamos receber muito bem uma informação (do Supremo) com esse conteúdo, com esse grau de decisão (negativa)", disse Maia.

O presidente da Câmara já avisou que vai instalar a CPI na Câmara para investigar Cachoeira. Falta definir se será uma CPI formada apenas por deputados ou uma CPI mista, integrada por deputados e senadores. Maia se reunirá ainda hoje com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para discutir o real interesse dos senadores em criar uma CPI sobre o assunto. Essa será a primeira comissão de inquérito com potencial político explosivo entre os parlamentares sob o mandato da presidente Dilma Rousseff.

"Eu já tomei a decisão de instalar a CPI na Câmara. Mas, havendo o interesse do Senado em fazer uma CPI e se conseguindo recolher as assinaturas, melhor, pois podemos fazer uma mista", disse Maia. Ele afirmou que a CPI mista pode otimizar os trabalhos e evitar disputa entre as duas CPIs, uma da Câmara e outra do Senado. Na Câmara, o pedido de CPI para investigar Cachoeira e suas relações políticas foi protocolado pelo deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) com 182 assinaturas, 11 a mais do que o necessário, há vinte dias.

Marco Maia afirmou que, caso o Senado não queira a CPI mista, ele fará a leitura da criação da comissão da Câmara nesta semana e abrirá prazo para a indicação dos nomes pelos líderes partidários. Os líderes do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o do PSDB, Bruno Araújo (PE), declararam concordar com uma CPI mista. Caso o Senado não recolha as assinaturas necessárias, eles apoiam uma CPI apenas na Câmara. Na semana passada, o DEM e o PT já haviam declarado publicamente a favor da comissão de inquérito.

A posição do PT nega a tradição política de que o funcionamento de uma comissão de inquérito sempre atrapalha as votações e os interesses do governo no Congresso, mesmo que o centro das investigações não esteja nas atividades do Executivo. Petistas observam que o caso "Cachoeira" é uma evidente mostra da existência de um "Estado paralelo" e que o partido não poderia ficar omisso em um cenário como esse, principalmente com a opinião pública atenta.

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