Política

Maioria do STF rejeita reduzir pena de condenados do mensalão

Marco Aurélio Mello propôs unificação de punição por crimes do mesmo tipo

Marco Aurélio Mello propôs unificação de punição por crimes do mesmo tipo
Marco Aurélio Mello propôs unificação de punição por crimes do mesmo tipo Foto : Carlos Humberto / SCO / STF / CP
A maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) votou contra a redução de penas para os condenados do processo do mensalão, na sessão desta quarta-feira. O ministro Marco Aurélio Mello propôs reduzir em até um quarto as penas para 16 condenados, através da unificação de punições por crimes do mesmo tipo (peculato e corrupção ativa, por exemplo), mas foi voto vencido em seu argumento.

Ministro-relator do processo e presidente do STF, Joaquim Barbosa votou contra reduzir as penas e foi acompanhado pelos ministros Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Seguiu o voto do ministro Marco Aurélio o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski.

“Não me parece consentâneo com o princípio da Justiça nem da equidade que o alegado chefe do esquema criminoso tenha recebido uma pena corporal quatro vezes menor que um de seus executores e que integra a mesma quadrilha. Me parece que há uma desproporção que temos que corrigir”, argumentou Lewandowski, em referência a José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) e Marcos Valério (publicitário). O ministro disse que o caso do mensalão não serve de paradigma para processos futuros porque inovou em várias questões criminais, como o conceito de lavagem de dinheiro e superampliação das penas para evitar prescrição.

Os ministros que votaram em seguida rejeitaram a proposta, aderindo à tese do relator Joaquim Barbosa para manter as penas como estão. “Daqui a pouco até estupro vamos colocar nesse pacote, e vai ser colocado continuidade delitiva, sem limite temporal e espacial”, protestou Gilmar Mendes. Ele lembrou que as penas são proporcionais aos múltiplos crimes executados pelo grupo. “Tudo aqui é inusitado, e não a nossa decisão”, completou Barbosa.

As ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber disseram que não podem encaixar como um único crime delitos tão diferentes, como lavagem de dinheiro e corrupção, mas não descartaram revisar o tema da continuidade delitiva em processos futuros.

A conclusão do julgamento do processo do mensalão, que começou em 2 de agosto, pode ocorrer nesta semana, na opinião de ministros da Corte. No entanto, se as discussões sobre mandatos, prisões e revisões de pena se prolongarem, o debate poderá ser estendido para a próxima semana. A última sessão do STF ocorrerá no dia 19. A partir do dia 20, a Corte entrará em recesso e o plenário somente voltará a se reunir em fevereiro.

Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil.


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