Durante o congresso estadual do MDB, que lançou oficialmente a pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao Palácio Piratini, a eleição de 2026 para a presidência da República também foi pauta. O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, defendeu uma aliança com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado para concorrer ao Palácio do Planalto.
“Eu tenho lado. Não quer estar ao lado do governo que está cheio de problemas. Ou o MDB tem que ter candidato próprio, ou o MDB tem que estar aliado com o Tarcísio”, declarou Melo, em discurso.
“O MDB tem lado. E eu tenho lado: não estarei ao lado do PT na eleição que vem”, completou. Atualmente, o partido integra a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e conta com três ministérios: Cidades (Jader Filho), Transportes (Renan Filho) e Planejamento e Orçamento (Simone Tebet).
Tarcísio é um dos presidenciáveis cotados para concatenar o voto da direita em 2026. Contudo, ainda não confirmou sua candidatura, pois há chance de concorrer à reeleição em São Paulo. Enquanto Tarcísio não toma uma decisão, outros governadores brasileiros demonstram a intenção de herdar os votos da direita, que não terá no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado, uma liderança para concentrar votos. Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) são cotados como presidenciáveis.
Melo já se posicionou e sua opinião deve ter peso nas decisões do partido, segundo o próprio presidenta nacional emedebista, o deputado Baleia Rossi, que esteve presente no congresso gaúcho. “Na última eleição (2024), tivemos duas grandes vitórias. Uma delas, em Porto Alegre (Melo). A outra, foi que, pela primeira vez, o MDB ganhou a maior cidade do país com o Ricardo Nunes e São Paulo. Os dois têm o mesmo posicionamento político e podem ter certeza que nenhuma decisão sobre 2026 vai ser imposta de cima para baixo. Vamos ouvir todas as lideranças e você (Melo) e o Ricardo Nunes vão ter peso nessa decisão”, discursou.
À reportagem, Baleia Rossi ponderou que há muitas opiniões dentro do partido. “O MDB vai definir seu futuro em convenção. Temos uma realidade de pensamentos diferente nas diversas regiões do país. Sul, Sudeste e Centro-Oeste se posicionam contra o governo federal, contra uma aliança com o PT. No Nordeste e parte do Norte, já tem mais afinidade. Quem vai decidir é a maioria do partido”, disse o deputado.