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Gurgel iniciou a exposição com a apresentação do publicitário Marcos Valério à cúpula do PT. Ele citou depoimento do ex-deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) em que o parlamentar conta como apresentou o dono da agência SMPB a José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, apontados pela denúncia original como "núcleo político" da quadrilha que realizou o mensalão.
Gurgel destacou que o objetivo de Marcos Valério era manter e ampliar sua participação em contratos de publicidade no governo. Enfatizou que, por outro lado, a cúpula petista buscava recursos para saldar dívidas de campanha e comprar apoio no Congresso. "A coincidência de interesses fez com que se produzisse essa associação", sustentou o procurador. Afirmou que o núcleo político, Marcos Valério e seus sócios e diretores do Banco Rural se uniram para praticar crimes de corrupção, contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, entre outros.
Gurgel terá cinco horas para fazer a acusação e já ressaltou que poderá haver alguma omissão porque com este tempo teria menos de 10 minutos para abordar a situação de cada réu e poucos segundos para falar sobre cada acusação imputada a cada réu.
Pelo cronograma original, a manifestação do procurador-geral estava prevista para ocorrer na primeira sessão, na quinta-feira. Porém, os planos mudaram depois que o advogado e ex-ministro da Defesa Márcio Thomaz Bastos, que defende o réu José Roberto Salgado, pediu o desmembramento do processo em relação aos acusados sem foro privilegiado no STF. A análise da solicitação, recusada pela maioria dos ministros, levou mais de três horas e adiou a exposição de Gurgel. A manifestação dos primeiros cinco advogados de defesa, prevista para acontecer na tarde desta sexta-feira, também deve ser adiada.
O mensalão
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o mensalão foi um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus no processo, entre eles, o ex-ministro e deputado federal já cassado José Dirceu, o ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PTB Roberto Jefferson - que denunciou o esquema em 2005 -, e o publicitário Marcos Valério, que seria o responsável por fazer o transporte das propinas. A denúncia é referente aos crimes de corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e peculato.