Marco Aurélio Mello explica como será o procedimento do primeiro dia do julgamento do mensalão. "Primeiro será feita a apresentação do relatório e possivelmente teremos algumas questões de ordem. Após, fala a acusação em primeiro lugar e iniciaremos a oitiva pelo defensor técnico do acusado José Dirceu. Imaginamos ouvir por dia cinco sustentações, já que cada um dos acusados terá um hora para expor o que lhe convir". Ele acrescentou que o STF não sofre pressão externa: "Nossa cadeira é vitalícia e o Supremo não está sujeito a pressões".
Sobre a presença do ministro Dias Toffoli, que foi advogado do PT entre 1995 e 2000, o magistrado acredita que ele será impedido de fazer parte do processo. "Será algo muito delicado se uma das partes suscitar o impedimento do colega. Toffoli foi anteriormente sub-chefe da Casa Civil e se aponta que ele tem uma companheira que já atuou no processo. É um constrangimento também para ele se a decisão for que ele não pode participar", comentou, emendando que se afastou "por muito menos" do julgamento do seu primo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1994.
Esquema de segurança será rígido
Na véspera do início do processo, homens de preto ensaiaram na quarta-feira um rígido esquema de proteção ao STF. Quarenta deles, de terno, gravata e rádios de comunicação, passaram boa parte da tarde fazendo deslocamentos ao redor da Corte. A meta é conter eventual aproximação de militantes e impedir que manifestações ruidosas prejudiquem os trabalhos dos ministros no julgamento do mensalão.
Os agentes que permanecerão no Plenário integram os quadros do próprio Supremo. O efetivo encarregado da blindagem do prédio é da segurança privada. Também será destacado um contingente da Polícia Militar que já está a postos. O Corpo de Bombeiros manterá unidades de plantão para eventuais emergências.
O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, chegou a solicitar ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pessoal da Força Nacional de Segurança para blindar a corte durante o julgamento. O pedido, porém, provocou mal-estar no Palácio do Planalto, que viu exagero na solicitação. Cardozo disse a Britto que o ofício deveria ser encaminhado ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O presidente do STF desistiu da Força.
Dilma quer manter distância do julgamento
A presidente Dilma Rousseff quer manter distância do julgamento para evitar que a crise do governo Lula respingue em sua administração. Dilma determinou a ministros que não entrem na polêmica do julgamento do STF.
"Temos uma decisão de governo, de seguir trabalhando com muita serenidade nesse tempo. O Judiciário vai fazer a parte dele, temos confiança no Poder Judiciário e seguiremos trabalhando", afirmou o chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, antes de audiência com o ministro da Defesa, Celso Amorim. Carvalho foi chefe de gabinete do ex-presidente Lula.
"A orientação da presidente Dilma é que o governo não pare, não faça nenhum tipo de ação que não seja voltada para que a máquina siga funcionando e confiando que o Judiciário faça o papel dele", acrescentou. Ex-ministra das Minas e Energia, Dilma assumiu a Casa Civil, em 2005, justamente com a queda de José Dirceu, abatido pela crise do mensalão. Ela se aproximou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa época.