Política

Ministro do STF arquiva queixa-crime de Aécio Neves contra Jandira Feghali

Celso de Mello entendeu que deputada está coberta pela regra constitucional que garante à parlamentar imunidade criminal em relação às suas declarações

Defesa de Aécio Neves alegou que a deputada se baseou em inverdades divulgadas na internet para difamá-lo e tentar ligá-lo a episódio
Defesa de Aécio Neves alegou que a deputada se baseou em inverdades divulgadas na internet para difamá-lo e tentar ligá-lo a episódio Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr / CP
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello arquivou nesta segunda-feira uma queixa-crime apresentada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) contra a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) por crime contra a honra. A ação chegou ao Supremo após a deputada postar, em 2015, na rede social Twitter, uma frase citando o senador.

No dia de 19 de maio do ano passado, a parlamentar escreveu: "Aécio, o Brasil precisa saber de um helicóptero repleto de drogas". Ao analisar o caso, o ministro entendeu que Jandira Feghali está coberta pela regra constitucional que garante à parlamentar imunidade criminal em relação às suas declarações.

"A análise dos elementos constantes destes autos permite-me reconhecer que o comportamento da ora querelada - que é deputada federal - subsume-se, inteiramente, ao âmbito da proteção constitucional fundada na garantia da imunidade parlamentar material, em ordem a excluir, na espécie, a responsabilidade penal da congressista", decidiu Mello.

Na ação, a defesa de Aécio Neves alegou que a deputada se baseou em inverdades divulgadas na internet para difamá-lo e tentar ligá-lo ao episódio. "Na medida em que relaciona o querelante (Aécio) à apreensão de um helicóptero com drogas, a toda evidência seu conteúdo possui flagrante conteúdo difamatório, injurioso e/ou, calunioso, uma vez que objetivou estabelecer um liame inexistente, de tal forma que o querelante fosse compelido a dar explicações sobre fato criminoso praticado por terceiros", argumentou a defesa do senador.

Os fatos referem-se à apreensão de um helicóptero que continha cerca de 400 quilos de cocaína em Afonso Cláudio (ES), em 2013. A aeronave pertence a uma empresa da família do senador Zezé Perrela (PTB-MG). Na ocasião, a defesa da família disse que o piloto da aeronave transportou a droga sem o conhecimento da empresa.