A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal atinge seu momento de maior tensão institucional a partir do choque direto entre ministros, desdobramentos de investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e sobre a conduta de autoridades da República. Em meio a tantas decisões, saiba quem são os personagens dessa crise:
- Alexandre de Moraes (ministro do STF):
O papel na crise: Mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro expostos em relatório da Polícia Federal mostram uma possível relação com ao ministro Alexandre de Moraes, que gerou uma crise. O ministro reagiu pedindo a abertura de investigação contra o colega André Mendonça no inquérito das Fake News, acusando-o de abuso de autoridade e imparcialidade.
Moraes tornou-se ministro do STF por indicação do ex-presidente Michel Temer.
- André Mendonça (ministro do STF):
O papel na crise: O ministro André Mendonça tornou-se relator das investigações relacionadas ao Banco Master no início deste ano, após o ministro Dias Toffoli se declarar impedido. Solicitou à Polícia Federal relatórios sobre o material apreendido no celular de Daniel Vorcaro. Ao receber as informações apontando contatos do banqueiro com Moraes e outras autoridades, levantou o sigilo dos trechos e levou a apuração ao presidente da Corte e ao plenário.
Em outro movimento, na terça-feira ele solicitou, em decisão monocrática, o afastamento do diretor da PF, Andrei Rodrigues, gerando novo enfrentamento, mas dessa vez com o Palácio do Planalto, já que a indicação da PF é do presidente da República.
Mendonça foi indicado para o STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
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- Flávio Dino (ministro do STF)
O papel na crise: O ministro pediu a anulação do afastamento da cúpula da PF, reintegrando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de inteligência, Leandro Almada, após estes terem sido afastados cautelarmente por ordem de André Mendonça. Dino classificou a ordem de Mendonça de paralisar relatórios da PF como "uma medida inédita e prejudicial a apurações urgentes" em andamento sob sua relatoria.
Ele também passou a criticar abertamente a condução das investigações do caso Banco Master e o uso de relatórios policiais sem lastro probado.
E, por fim, rebateu declarações que defendia o encerramento do inquérito como forma de pacificar a Corte. Dino foi indicado pelo presidente Lula para compor o STF.
- Edson Fachin (Presidente do STF):
O papel na crise: Atua para conter a maior crise da história recente da Corte. Retirou das mãos de Moraes o pedido de investigação feito contra Mendonça no inquérito das Fake News, concentrou as apurações em procedimento próprio, defendeu o encerramento do inquérito e estuda assumir as relatorias sensíveis para pacificar o tribunal, como a do Banco Master.
- Daniel Vorcaro (ex-banqueiro e dono do Banco Master):
O papel na crise: Empresário e ex-controlador do Banco Master, preso no âmbito de apurações da Polícia Federal sobre fraudes financeiras. A apreensão e perícia em seu celular revelaram mensagens, menções e trocas diretas de interlocução com ministros do STF e figuras do meio jurídico e político. Tentou fazer delações premiadas, mas sem êxito. A possível troca de mensagens entre ele o ministro Alexandre de Moraes ampliaram a crise no STF.
A fraude no Banco Master é considerada maior no âmbito financeiro da história recente do país.
- Paulo Gonet (Procurador-Geral da República):
O papel na crise: Chefe da PGR citado em trechos de conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sob análise. Manifestou-se contestando a forma como foram requisitadas novas diligências diretas por Mendonça sobre autoridades com foro, defendendo que o plenário e a PGR fossem formalmente provocados.
- Andrei Rodrigues (Diretor da PF):
O papel na crise: Chefe da Polícia Federal, órgão responsável pelas perícias no celular de Daniel Vorcaro. Teve sua permanência e atos colocados em dúvida no julgamento pelo ministro André Mendonça, que é o relator do caso do Banco Master, que pediu seu afastamento na terça-feira, dia 8 de setembro. A decisão monocrática obteve maioria da Segunda Turma do STF.
Indicado pelo presidente Lula para o cargo. Nesta quarta-feira, dia 9 de setembro, o ministro da Flávio Dino decidiu por reconduzi-lo ao cargo.