Política

"Moro construiu acusação própria para condenar Lula", diz advogado

Cristiano Zanin disse que um terço dos parágrafos da sentença foram usados para atacar defesa

Moro construiu acusação própria para condenar Lula, diz advogado
Moro construiu acusação própria para condenar Lula, diz advogado Foto : Sylvio Sirangelo / TRF4 / CP
No julgamento desta quarta-feira o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que, na primeira instância, o juiz federal Sérgio Moro “construiu uma acusação própria” para condenar o petista. Já no início da exposição, Zanin deu destaque ao que a defesa vem apontando como uma das maiores fragilidades da acusação: o fato de que o Ministério Público Federal (MPF) acusou Lula de receber o tríplex reformado em troca do benefício da construtora OAS em três contratos com a Petrobras, mas Moro, ao responder a recurso da defesa, assinalou que o Juízo jamais afirmou que os valores obtidos pela OAS nos contratos com a Petrobras foram utilizados para pagamento da vantagem indevida ao ex-presidente.

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Sobre o caráter político do julgamento, outro argumento da defesa, Zanin afirmou que um terço dos parágrafos da sentença de primeira instância se destina a atacar a defesa ou a fazer a autodefesa de Moro e lembrou que o Conselho Nacional do Ministério Público recomendou a um dos membros da Lava Jato que deixasse de usar as redes sociais para veicular suas opiniões políticas.

Na sequência, o advogado argumentou que não existem provas periciais para identificar o caminho do dinheiro e que a defesa foi impedida de produzi-las. Seguiu afirmando que para crime de corrupção passiva é necessário estabelecer que o funcionário ou agente público se utilizou de seu cargo ou função para receber vantagem indevida, mas que isso não acontece no processo. E fez referência a artigos do Código de Processo Penal e do Código Civil.

“Todos sabemos que o triplex não é do ex-presidente Lula. A propriedade é daquele que consta no Registro de Imóveis. Ele também não tem a posse. Não recebeu chaves, jamais passou um dia ou uma noite. E não venham dizer que uma reportagem transfere propriedade. O que deveria tentar se saber é se houve algum pacto de corrupção. Mas aí a sentença responde somente com base na palavra de Léo Pinheiro, que é corréu.” Segundo o advogado, a palavra de corréus não poderiam servir para incriminar. Zanin encerrou solicitando aos desembargadores que fizessem “justiça”, não deixando para que “a história a faça.”