Política

Moro critica sexualização precoce e aborto em carta a cristãos

Presidenciável diz em carta que crianças e adolescentes devem ser poupados da sexualização precoce

Antônio Campos disse que ameaças antigas retornaram após entrevista falando sobre brigas familiares
Antônio Campos disse que ameaças antigas retornaram após entrevista falando sobre brigas familiares Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP

O pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, Sergio Moro, divulgou uma carta nesta segunda-feira com os princípios cristãos que serão defendidos por ele no caso de vitória nas eleições. Dentre os pontos elencados no documento, Moro se coloca contra o aborto.

"Defenderemos a não ampliação da legislação em relação ao aborto e faremos a defesa da preservação da vida humana em todas as suas manifestações, conforme lei brasileira em vigor", diz o documento.

Além disso, Moro defende a adoção de políticas para a ressocialização de presos, "com o incentivo ao trabalho e à educação, objetivando a desvinculação de gangues ou de grupos criminosos organizados e garantindo a atuação de entidades confessionais ou laicas nessa atividade".

Outro ponto importante da carta versa sobre a ideologia de gênero. Moro fala em valorizar a autonomia da instituição familiar, mas diz que respeitará "as preferências afetivas e sexuais de cada indivíduo e a preservação dos direitos de cada um dos seus membros". De todo modo, ele frisa que "o Estado deve evitar ao máximo invadir a esfera da liberdade privada, assim como deve preservar as crianças e adolescentes da sexualização precoce".

Moro ainda se posiciona de forma favorável à não incidência do IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) sobre templos religiosos de qualquer culto, ainda que os imóveis sejam alugados. 

"Prestigiaremos o papel constitucional colaborativo das Organizações Religiosas e de Terceiro Setor confessionais na assistência social, desestimulando exigências restritivas desproporcionais às instituições e seus membros e garantindo os benefícios legais e constitucionais, bem como a imunidade tributária e o direito de acomodação dos dias sagrados", destaca.

Respeito à religião

Moro afirma que respeitará e tratará com dignidade "todas as pessoas, religiões e crenças, sem fomentar discursos de ódio, disseminação de preconceitos ou estereótipos contra qualquer pessoa, religiosa ou não".

"Valorizaremos as Liberdades Civis Fundamentais e, particularmente, a Liberdade de Expressão, respeitando a opinião discordante, e a Liberdade Religiosa e de Culto de forma ampla, nas mais diversas esferas de manifestações legítimas. Resguardaremos o exercício da atividade religiosa de qualquer natureza, observando-se a essencialidade desta atividade para a vida das pessoas, sem restrições arbitrárias", frisa.

O ex-juiz também diz que, em atenção à isonomia e equidade da disputa eleitoral, não buscará divulgar propaganda política em reuniões destinadas, exclusivamente, a missas e a cultos promovidos pelas igrejas, pois, segundo ele, são local e momento inapropriados.

Moro ainda salienta que não vai solicitar quaisquer trocas de favores institucionais, objetivando o financiamento de campanhas eleitorais, às organizações religiosas ou pessoas físicas que as representam.

"Buscaremos o apoio individual das lideranças eclesiásticas e de influenciadores do segmento, mas não será perseguido o apoio institucional expresso de igrejas, para evitar quaisquer constrangimentos pessoais ou distorções do pleito eleitoral, respeitando a autonomia da consciência e a liberdade individual."