Política

"Motivo não se justifica", diz Bolsonaro sobre morte de petista

Marcelo Aloizio de Arruda foi assassinado a tiros pelo policial penal Jorge José da Rocha Guaranho em Foz do Iguaçu

Bolsonaro disse que Forças Armadas da Venezuela estão rachadas
Bolsonaro disse que Forças Armadas da Venezuela estão rachadas Foto : Alan Santos / PR / CP Memória

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que não se justifica o motivo que culminou no assassinato tesoureiro do PT Marcelo Aloizio de Arruda, em Foz do Iguçu (PR), pelo policial penal Jorge José da Rocha Guaranho. A polícia apura a motivação do crime, e uma das possibilidades é intolerância política.

"Teve lá uma troca de tiros, uma barbaridade. Uma briga que não se justifica, o motivo da briga não se justifica", disse Bolsonaro durante conversa com apoiadores, no Palácio do Alvorada, em Brasília.

Na conversa, o chefe do Executivo comentou a ligação que fez aos irmãos do petista assassinado por Guaranho. "Falei com dois irmãos, que são eleitores nossos, simpatizantes, e o outro irmão que era de esquerda. Por coincidência, resgatamos uma foto de 2017 eu com o irmão dele que morreu. Inclusive ele pediu para mim, não lembrava, mas que votasse algo com ele. Eu votei com eles. Eu votei a favor desse petista que faleceu", contou Bolsonaro.

Na sequência, o presidente citou as críticas por não ter entrado em contato com a viúva da vítima. "Se ela estivesse lá, falava com ela também. A gente lamenta, não se justifica a motivação, a briga, do nada. Infelizmente uma morte e outro [homem] no hospital."

Telefonema

Um dia após dizer que não tinha nada a ver com a morte de Marcelo Arruda, Bolsonaro conversou com familiares da vítima. O telefonema, realizado na terça-feira (12), foi intermediado pelo deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), que viajou ao município para se encontrar com os familiares da vítima.

"O que a gente quer é que reine sempre a paz. O que não justifica é a violência. Esse cara [que assassinou Marcelo], pelo que tudo leva a crer, é um desequilibrado. Por mais que, porventura, tenha tido uma troca de palavras grosseiras, não justifica o cara voltar armado e fazer o que fez. No meu entender, nada justifica o que aconteceu. Nada justifica", afirmou Bolsonaro, em chamada de vídeo com José e Luiz de Arruda.

"A verdade é que essa esquerda aí está fazendo uso político. A gente busca sempre a paz. Vocês nunca viram eu estimulando qualquer tipo de atrito, apesar de grande parte da imprensa dizer exatamente o contrário", acrescentou.

Durante o contato com José e Luiz, o presidente sugeriu que eles se dirijam a Brasília para conversar com a imprensa sobre o caso. "A possível vinda de vocês a Brasília, se concordarem, qual é a ideia? É ter uma coletiva de imprensa para falar o que aconteceu. Até para [poupar] ataques ao seu irmão. Não é a direita, a esquerda. Eu faria isso para vocês terem a imprensa na frente de vocês para mostrar o que aconteceu", ponderou.

O caso

Um dos líderes do Partido dos Trabalhadores e guarda municipal em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, foi assassinado na própria festa de aniversário no último domingo. O caso é investigado pela polícia como intolerância política, mas ainda não há confirmação oficial da motivação do crime.

Segundo o boletim de ocorrência, o guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, de 50 anos, comemorava o aniversário com a temática do PT com amigos e familiares. Durante a confraternização, o agente penitenciário federal, identificado como Jorge José da Rocha Guaranho, teria chegado ao local em um veículo Creta, acompanhado por uma mulher e uma criança.

Conforme o relato de testemunhas, o agente federal desceu do carro com uma arma na mão, gritou o nome do presidente Jair Bolsonaro e deixou o local. A festa continuou e o suspeito retornou, desta vez sozinho. Ao perceber a presença do agente, a companheira de Marcelo, que é policial civil, se identificou e, na sequência, Marcelo relatou que era guarda municipal. O agente, então, atirou contra o guarda, que também estava armado e revidou. Os dois homens foram baleados na discussão.

Socorristas do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foram acionados e prestaram atendimento às vítimas. Marcelo não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Guaranho foi internado em estado grave, em um hospital de Foz do Iguaçu.

O agente penitenciário é policial penal federal e trabalha na Penitenciária de Catanduvas, no Oeste do Paraná, que fica a cerca de 200 quilômetros de Foz do Iguaçu. As duas armas, do guarda e do policial, foram recolhidas e encaminhadas para perícia.