Política

MP Eleitoral pede sanção ao PMDB gaúcho por suposta promoção pessoal a Sartori

Procurador concluiu que conteúdo das peças enaltece gestão atual, elencando atos de governo

Procurador concluiu que conteúdo das peças enaltece gestão atual, elencando atos de governo
Procurador concluiu que conteúdo das peças enaltece gestão atual, elencando atos de governo Foto : Alex Rocha / Palácio Piratini / CP
O Ministério Público Eleitoral no Rio Grande do Sul entrou, nesta quarta-feira, no Tribunal Regional Eleitoral, com uma representação contra o diretório estadual do PMDB por desvirtuamento de propaganda partidária. Conforme o MPE, em quatro inserções, o governador José Ivo Sartori participou das inserções, o que caracterizou promoção pessoal combinada com antecipação de apelo eleitoral.

A lei que regula a propaganda partidária, de 1995, estabelece que o material deve, exclusivamente, difundir os programas partidários; transmitir mensagens a filiados sobre a execução deles, divulgar a posição do partido em relação a temas político-comunitários; e promover e difundir a participação política feminina.

Ao analisar as inserções em rádio e TV feitas pelo PMDB, o procurador regional eleitoral no RS, Marcelo Beckhausen, concluiu que o conteúdo das peças enaltece a gestão atual, elencando atos de governo. Beckhausen cita como exemplo a passagem: “Diante das dificuldades do Estado, escolhemos o caminho da verdade e do trabalho. Foi assim que renegociamos a dívida com a União, criamos a Lei de Responsabilidade Fiscal e a nova Previdência. Reduzimos secretarias e cargos de confiança. E é assim que estamos construindo um Estado melhor para você e sua família”.

Além disso, segundo o MP Eleitoral, a propaganda encoraja a população à continuidade, usando frases como “Vamos juntos continuar fazendo o que precisa ser feito para melhorar a vida de todos” e “Vamos continuar as mudanças. Do mesmo jeito, com verdade e trabalho”. Para Beckhausen ainda que não exista nas inserções referência explícita a Sartori, o formato do discurso adotado busca “criar estados mentais favoráveis à atual Administração, procurando incutir no imaginário do eleitor que aquele agente público central da propaganda é o gestor mais responsável para continuar gerindo o Estado”.

O MPE pede que seja reconhecida a infração e cassado o direito do PMDB de transmitir e retransmitir a propaganda partidária, no semestre seguinte, em um tempo equivalente a cinco vezes ao das supostas irregularidades.