Política

MPF quer explicações sobre obras de contenção de cheias

Após receber informações de prefeituras, comitês de bacias e associações de municípios, Ministério Público Federal vai cobrar que governo do Estado agilize execução dos trabalhos

Água invade bairro Rio Branco, em Canoas
Água invade bairro Rio Branco, em Canoas Foto : Pedro Piegas

O Ministério Público Federal (MPF) vai solicitar a todas as prefeituras das bacias hidrográficas dos rios dos Sinos, Taquari e Jacuí, informações sobre suas reivindicações quanto a obras de prevenção a desastres, seus estudos e projetos. A solicitação se estenderá também a comitês de bacias hidrográficas e associações regionais de municípios.

Com as respostas, o MPF pretende demandar ao governo do Estado a execução das obras e exigir prestação de contas junto à Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), nos moldes do estabelecido na lei federal 12.340/2010, que trata da transferência de recursos da União para o atendimento a desastres.

A iniciativa é do procurador da República Celso Antônio Tres, e toma por base, entre outros pontos, a destinação de recursos federais ao Estado para a recuperação após a tragédia climática de 2024. O procurador apontou especificamente as medidas provisórias 1.218/2024 e 1.282/24. A 1.218 abriu crédito extraordinário de R$ 12,1 bilhões para que órgãos da União pudessem executar ações de atendimento aos municípios gaúchos afetados.

A 1.282 é a que reservou R$ 6,5 bilhões para obras de contenção contra cheias na região Metropolitana. O dinheiro (R$ 6,8 milhões em valores atualizados) está depositado no Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação à Eventos Climáticos Extremos (Firece), à espera da atualização dos projetos.

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No ano passado, quando o Firece foi estabelecido, o governo estadual pleiteou, e conseguiu que ficasse sob sua responsabilidade, e não com municípios ou consórcios de municípios, a administração de toda a apresentação de projetos, suas atualizações e licitações para as obras atendidas pelo fundo.

Os R$ 6,5 bilhões atendem a quatro projetos: intervenções no Arroio Feijó, intervenções em Eldorado do Sul, Bacia do Sinos e Bacia do Gravataí. No final de abril o governo gaúcho lançou o edital para atualização do projeto do dique em Eldorado do Sul, que teve um vencedor e está em fase recursal. Os demais editais não foram lançados. O do Arroio Feijó foi prometido para este mês de junho.

Além das medidas provisórias, o procurador cita a suspensão das parcelas da dívida do Estado com a União por três anos e a isenção dos juros respectivos das parcelas (que não irão para o estoque da dívida). As parcelas suspensas (que, em valores atualizados, somarão R$ 14,7 bilhões), sem os juros, alimentam outro fundo, o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), administrado integralmente pelo governo estadual.

O MPF deverá tratar ainda da questão da “titularidade” dos rios. Conforme o procurador, como a titularidade é do Estado, a transferência da formulação de estudos e projetos a municípios não encontra adequação aos princípios constitucionais.