Política

MPF recorre à Justiça contra transferência de Cachoeira para Brasília

CPI sobre o assunto será criada no Senado e na Câmara nesta quinta-feira

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu à Justiça contra a transferência do empresário Carlinhos Cachoeira para o Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Na ação, o MPF alega que a penitenciária não apresenta condições de impedir o poder de influência do preso. Cachoeira chegou na manhã desta terça-feira a Papuda, vindo do Presídio de Segurança Máxima de Mossoró (RN), onde estava preso desde que foi deflagrada a Operação Monte Carlo, pela Polícia Federal em fevereiro. A comissão parlamentar mista de inquérito que vai investigar a relação de políticos, agentes públicos e privados com Carlinhos Cachoeira será criada às 10h30min desta quinta, em Brasília.

A transferência foi autorizada pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal brasiliense, que alegou que Cachoeira não apresenta risco à sociedade e que não cometeu crime hediondo. No recurso, o MPF defende que a influência de Cachoeira somente pode ser neutralizada se ele ficar detido em um regime diferenciado de prisão. Diferente da penitenciária de Mossoró, a Papuda não é um presídio de segurança máxima.

“O pedido também defendeu que só é possível manter o grupo desarticulado se o seu líder for mantido preso sob sistema diferenciado, que neutralize ou, ao menos, minimize seu poder de penetração. Para o MPF, o Complexo da Papuda não possui condições adequadas para neutralizar esse poder de Cachoeira, inclusive por se encontrar próximo (e dentro) a seu centro de comando”, diz o órgão. Caso o pedido seja aceito pelo TRF, Cachoeira terá de retornar ao Presídio de Mossoró.

Empresário é acusado de comandar jogo do bicho no Centro-Oeste


O empresário chegou a Brasília em voo comercial, proveniente de Fortaleza (CE) e sob escolta de policiais federais. Ele divide a cela com 22 pessoas em uma área reservada a presos da Polícia Federal. Cachoeira ficará à disposição da Justiça por tempo indeterminado. Ele é apontado com o chefe da quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis e pagava propina para agentes públicos de segurança.

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, são acusados de participar dos esquemas ilegais do empresário. O parlamentar tem sido o mais atingido pelas denúncias. Vazamentos das conversas telefônicas mostram o senador recebendo orientação do empresário sobre projetos em tramitação no Congresso Nacional.

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