O Ministério Público Federal no Paraná confirmou pedido, nesta quinta-feira, pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em ação que investiga o pagamento de propinas pela empreiteira Odebrecht e o desvio de recursos públicos em contratos da Petrobras. A denúncia do MPF, com pedido de condenação, foi apresentada em dezembro de 2016. Agora, faltando três dias para o primeiro turno da eleição presidencial, reforçaram a posição nas alegações finais do processo, que está sob responsabilidade da 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR), onde atua o juiz Sérgio Moro.
Segundo a Procuradoria, além de irrigar o caixa do PT com recursos ilícitos, o ex-presidente teria recebido em troca um terreno para a construção do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP).
O MPF também pede o pagamento de R$ 75,4 milhões, referentes aos supostos danos causados à Petrobras, de acordo com as investigações, além do perdimento do apartamento 121 do Residencial Hill House, em São Bernado do Campo — imóvel que fica no mesmo andar do prédio onde Lula já possui uma unidade.
Nos próximos dias, a defesa dos denunciados irá apresentar suas alegações finais, último trâmite da ação antes de o juiz decretar a sentença. A reportagem entrou em contato com a defesa do ex-presidente Lula e aguarda um posicionamento.
Assinada por Deltan Dallagnol e outros 12 procuradores, a denúncia afirma que Lula, "na condição de presidente da República", comandou "um esquema criminoso de desvio de recursos públicos, baseado na distribuição de altos cargos da Administração Pública Federal entre agentes públicos comprometidos com a arredação de propina, recursos estes que eram destinados à compra de apoio parlamentar de agentes políticos e partidos, ao enriquecimento ilícito dos envolvidos e ao financiamento de caras campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT), em prol de uma permanência no poder assentada em recursos públicos desviados".
MPF reforça pedido de condenação de Lula em processo sobre desvios na Petrobras
Procuradores da Lava Jato fizeram apontamento ao entregar alegações finais a três dias das eleições