Política

Não existe possibilidade de recuar um milímetro, diz Moraes ao Washington Post

Ministro afirmou que narrativas falsas envenenaram a relação entre Brasil e Estados Unidos

Moraes considerou que narrativas falsas envenenaram relação entre Brasil e Estados Unidos
Moraes considerou que narrativas falsas envenenaram relação entre Brasil e Estados Unidos Foto : Rosinei Coutinho/STF

Em entrevista exclusiva ao The Washington Post, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse que a Corte Suprema está "preservando a democracia brasileira" e, portanto, fará "o que é certo". "Não há a menor possibilidade de recuar nem um milímetro" disse Moraes em uma entrevista de uma hora em seu gabinete: "Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido."

Moraes reiterou que o processo não irá retroceder e que não se sente pressionado com as ações do governo norte-americano. “De maneira alguma iremos recuar daquilo que devemos fazer. Eu digo isso com completa tranquilidade”, comentou.

O magistrado ainda fez uma análise sobre a visão americana da democracia brasileira. “Eu entendo que para a cultura americana é mais difícil de entender a fragilidade da democracia porque nunca houve um golpe de Estado lá. O Brasil teve anos de ditadura e outros 20 de ditadura militar e inumeráveis tentativas de golpe. Quando você é mais atacado por uma doença, você forma anticorpos e procura uma vacina preventiva”, explicou.

“Vilão” inspirado

Aos olhos do governo americano, Moraes é classificado como um vilão global. "Juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal", disse o Secretário do Tesouro Scott Bessent. "O rosto mundial da censura judicial", nas palavras do Secretário de Estado Adjunto Christopher Landau.

"A acrimônia não é mútua", disse Moraes ao jornal americano. O ministro disse que sempre buscou inspiração na história da governança americana, discorrendo sobre as obras de John Jay, Thomas Jefferson e James Madison. "Todo constitucionalista tem uma grande admiração pelos Estados Unidos", disse o juiz.

Relação envenenada

Moraes disse que o Brasil e os Estados Unidos eram amigos e admitiu que acreditava que o crescente abismo entre eles era temporário, impulsionado pela política e pelo tipo de desinformação que ele passou anos tentando reprimir. O ministro citou o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que lidera uma campanha diplomática rebelde instando hostilidades dos EUA contra o Brasil e sanções contra Moraes.

"Essas narrativas falsas acabaram envenenando a relação - narrativas falsas apoiadas pela desinformação espalhada por essas pessoas nas redes sociais", disse Moraes. "Então o que precisamos fazer, e o que o Brasil está fazendo, é esclarecer as coisas."

Perguntado sobre a perda de liberdades pessoais e restrições de viagem impostas a ele pelo governo dos EUA, Moraes respondeu que "isso não é agradável de passar". Mas, segundo ele, o Brasil estava contra forças poderosas que queriam desfazer a democracia, e era seu trabalho detê-las. "Enquanto houver necessidade, a investigação continuará", concluiu.

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