Nem o mais fanático por seriados políticos poderia esperar um roteiro como o do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão, explicou em um curto pronunciamento, a decisão tomada no começo do dia - anulação das sessões do impeachment. Maranhão reforçou que tomou a medida com embasamento legal, do regimento e ouvindo a Advogacia Geral da União. "Eu sei que o momento é delicado, mas ninguém está de brincadeira com a democracia aqui, essa decisão é para corrigir vícios e falhas e assim evitar uma judicialização do processo mais à frente".
Maranhão apontou quatro vícios que justificariam a anulação da sessão da Câmara: a orientação partidária sobre o voto, o que teria impedido a livre manifestação dos deputados; o anúncio do voto antes do encerramento da votação; a ausência da defesa de Dilma na sessão; e o fato de a decisão de admissibilidade do processo não ter sido transformada em Resolução para ser enviada ao Senado.
A notícia da anulação das sessões do impeachment da presidente Dilma, ocorridas em abril, provocou um tsunami político, social e econômico nesta segunda-feira. Deputados governistas e senadores partiram logo para pressionar o Senado a devolver o processo para a Câmara. Do outro lado, oposicionistas se articularam para que o Senado Federal desse sequência ao rito. Dilma, quando soube da notícia, pediu cautela. O ex-presidente Lula falou em "ganho de tempo". Juristas, contra e a favor, debateram a medida, que pode acabar Supremo Tribunal Federal. O mercado financeiro ficou agitado. O dólar operou em alta durante boa parte do dia. No meio da tarde, Renan Calheiros, presidente do Senado, deu sequência ao processo, o que provocou mais discussões.
No âmbito social, opositores ao impeachment e favoráveis voltaram a tomar as ruas de algumas cidades. Na Internet, montagens e memes da decisão de Maranhão circularam pelas redes sociais.
"Ninguém está de brincadeira com a democracia", diz Waldir Maranhão
Presidente interino da Câmara voltou a frisar que anulou sessões do impeachment para corrigir vícios