No Senado, Lupi admite que viajou em jato com dono de ONG

No Senado, Lupi admite que viajou em jato com dono de ONG

Ministro do Trabalho disse que estava "desmemoriado" quando prestou esclarecimentos na Câmara

AE

No Senado, Lupi admite que viajou em jato com dono de ONG

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No depoimento prestado aos senadores da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), nesta quinta-feira, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, admitiu que voou no avião King Air, durante agenda no Maranhão, em 2009, cujo aluguel foi intermediado pelo presidente da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira, que também estava no jatinho.

Na semana passada, em depoimento a deputados, Lupi afirmou que não usou o referido avião e que não conhecia o presidente da ONG, o que levou o PSDB a acusá-lo, perante a Procuradoria-Geral da República (PGR), de crime de responsabilidade.

Lupi afirmou, primeiro, que estava sob forte pressão de deputados da oposição e, portanto, não se lembrou naquele momento que viajara naquela aeronave. Pediu desculpas porque estava "desmemoriado". Ainda segundo ele, faz parte da correria da vida política entrar em carros, aviões e helicópteros, sem saber quem são os referidos proprietários. Lupi reafirmou que, em sua avaliação, aquela estrutura havia sido providenciada pelo PDT do Maranhão.

O ministro disse ainda não ter clareza do que está sendo acusado, já que Adair Meira declarou que o jato fretado não foi pago por ele. "Quem tem que explicar o pagamento dessa aeronave não sou eu, eu fui de carona. Compete à companhia aérea falar e ao Ezequiel (Nascimento, ex-secretário da pasta)". Por fim, ele reivindicou o seu "direito constitucional" de ser considerado inocente, até que se prove o contrário.

Pedetistas defendem saída de Lupi

Durante o depoimento de Lupi na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), dois senadores do partido - Cristovam Buarque (DF) e Pedro Taques (MT) - voltaram a defender que ele se afaste do cargo até o final das investigações das denúncias de corrupção e tráfico de influência na pasta. Ambos já haviam defendido o afastamento de Lupi em reuniões internas do partido, para discutir a crise no ministério.

"Menor do que sair como o senhor está agora, só sair demitido por telefone como aconteceu comigo", afirmou Cristovam, referindo-se à forma como foi demitido (por telefone) pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi ministro da Educação. Cristovam ressaltou, contudo, que a saída de Lupi, neste momento, só depende da vontade dele e da presidente Dilma Rousseff.

Conveniência política

O presidente em exercício do PDT, deputado André Figueiredo (CE), disse hoje que vários integrantes do partido têm confiança no ministro do Trabalho, mas o que se avalia na legenda é a conveniência política de mantê-lo no cargo. O parlamentar frisou ainda que quem decide se o ministro continua no comando da pasta é a presidenta Dilma Rousseff e que cabe a Lupi dizer se quer continuar no cargo.

Figueiredo informou que não haverá mais a reunião da Executiva do partido que estava marcada para ser realizada nesta quinta-feira e cujo assunto seria a situação de Carlos Lupi.

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