Política

O que é uma PEC? Entenda o instrumento por trás do fim da escala 6x1

Proposta aprovada pela Câmara com placar folgado ainda precisa passar pelo Senado antes de entrar em vigor

Texto sobre fim da escala 6x1 foi aprovado com 472 votos a favor no primeiro turno; agora vai ao Senado, onde precisa do apoio de 49 dos 81 senadores
Texto sobre fim da escala 6x1 foi aprovado com 472 votos a favor no primeiro turno; agora vai ao Senado, onde precisa do apoio de 49 dos 81 senadores Foto : Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Na noite desta quarta-feira, 27, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC que prevê o fim da escala 6x1. No entanto, a mudança ainda não entra em vigor. A Proposta de Emenda à Constituição é o instrumento usado para alterar a Constituição Federal, lei máxima do país, e sua tramitação é mais longa e exige mais votos do que a de um projeto de lei comum.

Neste caso, a PEC 221/19 propõe mudanças nas regras constitucionais sobre jornada de trabalho. O texto aprovado pela Câmara estabelece jornada de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, acabando com o modelo de seis dias de trabalho para um dia de folga, hoje comum em setores como comércio e serviços. A versão aprovada também prevê uma transição e leis específicas para tratar de algumas carreiras.

Para entrar em vigor, porém, a proposta ainda precisa concluir todas as etapas previstas para alterar a Constituição. Entenda a seguir como ocorre esse processo.

Como funciona a tramitação de uma PEC

Conforme explica a Câmara dos Deputados, uma PEC pode ser apresentada por, no mínimo, 171 deputados ou 27 senadores, o equivalente a um terço de cada Casa Legislativa. Também pode ser proposta pelo presidente da República ou por mais da metade das assembleias legislativas dos estados.

Na Câmara, o primeiro passo é a análise de admissibilidade pela Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania, a CCJ. Nessa fase, os deputados avaliam se a proposta pode tramitar e se não fere as chamadas cláusulas pétreas da Constituição. Esses pontos não podem ser abolidos por emenda constitucional, como a forma federativa do Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.

Se for admitida pela CCJ, a PEC segue para uma comissão especial, responsável por analisar o mérito da proposta. É nessa etapa que o conteúdo é discutido com mais profundidade e pode ser alterado. A comissão tem prazo de 40 sessões do Plenário para votar o texto, e as emendas podem ser apresentadas nas dez primeiras sessões.

➡️ No caso da PEC da escala 6x1, a comissão especial teve como relator o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que apresentou seu parecer na segunda-feira, 25. O presidente da comissão especial, deputado Alencar Santana (PT-SP), disse que quase 4 mil pessoas participaram dos debates sobre a nova jornada de trabalho.

Após aprovação nessa etapa, a PEC vai ao Plenário. Para ser aprovada, precisa receber votos favoráveis de três quintos dos deputados — pelo menos 308 dos 513 parlamentares — em dois turnos de votação. Na noite desta quarta-feira, a Câmara aprovou o texto nos dois turnos: no primeiro, foram 472 votos a favor e 22 contra; no segundo, 461 a favor e 19 contra.

Durante a votação, os parlamentares também podem apresentar destaques, pedidos para votar separadamente partes específicas do texto, com o objetivo de manter, retirar ou alterar determinados trechos da proposta.

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Próximos passos

Aprovada na Câmara, a PEC da escala 6x1 agora precisa ser analisada pelo Senado, o que deve ocorrer nos próximos dias. Lá, o texto também passa por etapas de discussão e votação. Para ser aprovado, precisa receber o apoio de três quintos dos senadores (o equivalente a 49 votos, dos 81) também em dois turnos.

Se o Senado aprovar o mesmo texto já aprovado pela Câmara, a PEC poderá ser promulgada em sessão do Congresso Nacional e passar a valer como emenda constitucional, conforme as regras previstas no próprio texto. Caso os senadores façam mudanças substanciais (não apenas de redação), a proposta volta para nova análise dos deputados.

Também existe a possibilidade de promulgação “fatiada”: apenas os trechos aprovados pelas duas Casas são incorporados à Constituição, enquanto as partes alteradas continuam em tramitação.

Até que o Senado vote e aprove a proposta, as regras atuais sobre jornada de trabalho continuam valendo.