Oposição mantém mobilização contra a PEC do Plebiscito

Oposição mantém mobilização contra a PEC do Plebiscito

Proposta deverá ser votada novamente em duas semanas na Assembleia

Flávia Simões*

Audiência pública foi proposta por parlamentares da bancada do PT

publicidade

Com o objetivo de manter as mobilizações contrárias à privatização da Corsan,  parlamentares da bancada do PT, na Assembleia Legislativa, realizaram uma audiência pública na Comissão de Educação e Cultura, nesta sexta-feira, para tratar do tema. O projeto de emenda à Constituição, que foi aprovado em primeiro turno, na última terça-feira e que prevê a retirada da obrigatoriedade da realização de plebiscito para venda do Banrisul, Corsan e Procergs, também foi discutido. O objetivo foi tratar do futuro das empresas envolvidas. O segundo turno da votação deve ocorrer no dia 11 de maio. 

Entidades criticam ausência de plebiscito

"Sabe porque não querem plebiscito? Porque 81% da população é favorável a Corsan", afirmou o presidente do Sindiágua, Arilson Wünsch, que acusou a gestão de Eduardo Leite  de não propor projetos para a Corsan e, com isso, fazer com a empresa perdesse capital e se transformasse em "cabide de empregos". 

O ex-assessor de relações comunitárias da estatal de água e saneamento básico, Walter Aragão, defendeu a atuação da Corsan nos pequenos municípios, "ela viabiliza a vida no interior". Entre as 317 prefeituras que têm contrato com a empresa, as de pequeno e médio porte são abastecidas através do sistema de subsídio cruzado.

Ele também pontuou que a venda da estatal no momento seria um prejuízo ao Estado, tanto por ela ser superavitária quanto pela situação do mercado. "Não é apenas vender uma empresa. É sobre qual o papel do Estado", colocou. "É uma responsabilidade (garantir a água) estadual e microrregional que não pode ser afastada", acrescentou. "A Corsan não é do Estado, ela existe em função dos municípios e, por isso, precisamos continuar fazendo esse debate", defendeu o deputado Valdeci Oliveira (PT).

Deputados apontam falhas na votação 

Reafirmando que manteriam os debates e as resistências quanto à PEC 280/19, o deputado Pepe Vargas (PT) afirmou que a discussão com "argumentos sólidos e consistentes, que fizeram deputados de partidos da base se colocarem contra o projeto precisa continuar". Na sua fala, também teceu críticas quanto à condução dos trabalhos. A sessão que aprovou a PEC ocorreu no formato híbrido, com deputados no plenário, mesmo assim, problemas no sistema virtual e de comunicação ocorreram.

 A fala foi reforçada pelo deputado Jeferson Fernandes (PT) que citou os incidentes ocorridos com os deputados Neri, O Carteiro (Solidariedade) e Dirceu Franciscon (PTB) durante a votação.

Os parlamentares também teceram críticas quanto à falta de discussões na tribuna dos deputados governistas e favoráveis ao projeto. "Ele (Leite) vai seguir fazendo pressão sobre a Assembleia Legislativa. Essa é uma audiência importante para mostrar que seguimos mobilizados", pontuou a deputada Luciana Genro (PSol). 

Na mesma lógica, Fernandes acusou o governo de ter dado "kit asfalto" para que os deputados que estivessem "em cima do muro" votassem a favor. O episódio envolvendo a alteração na bandeira, de preta para vermelha e, desta forma, viabilizando a retomada às aulas, denunciado pela deputada do PSol também foi lembrado. 

Além da Corsan, ainda se pronunciaram líderes sindicais e ex-funcionários do Banrisul e da Procergs, que defenderam a atuação das empresas para o desenvolvimento do Estado e foram contrários à possível privatização das estatais.

*Sob supervisão de Mauren Xavier


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895