Hollerbach foi condenado pelos mesmos crimes de Valério, considerado o operador do esquema. No entanto, as penas para ele estão mais amenas, porque os ministros consideram que teve participação menor nos fatos. Mais uma vez, o revisor da ação, Ricardo Lewandowski, apresentou voto com pena mais branda, e desta vez foi vencido. Considerando que Hollerbach tem bons antecedentes, ele aplicou pena de dois anos e quatro meses, além de 11 dias multa de dez salários mínimos cada.
Após a coleta dos votos, o presidente Carlos Ayres Britto proclamou o resultado, com a maioria formada a favor do voto do relator da ação, Joaquim Barbosa quanto à lavage de dinheiro. Ele definiu pena de cinco anos e dez meses de reclusão e mais 166 dias-multa. A atualização da pena parcial de Hollerbach foi para 25 anos,11 meses e 20 dias e multa de R$ 2,533 milhões. Os ministros discutem, agora, a pena para o crime de evasão de divisas.
Bate-boca no STF
Depois de quase duas semanas de recesso, o julgamento foi retomado com um novo bate-boca entre os magistrados. A primeira discussão aconteceu entre Joaquim Barbosa e o ministro Marco Aurélio Mello, que defendeu a análise anterior pelo Supremo de alguns temas como continuidade delitiva e aplicação de um agravante a todos os crimes. Isso poderia, na prática, reduzir a pena aplicada a Marcos Valério até agora, que, somadas, já superaria 40 anos. Barbosa ironizou a tentativa.
Lewandowski, então, aproveitou para acompanhar a proposta de Marco Aurélio de debater a questão da continuidade delitiva e do agravante aplicado a todos os crimes praticados por Marcos Valério, gerando uma nova discussão, que teve de ser interrompida pelo presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto. Rosa Weber também questionou o critério adotado por Barbosa.