Política

Perillo nega relações com Cachoeira após oito horas de depoimento

Audiência de CPI com o governador de Goiás gerou polêmica por conta de sigilo telefônico

Perillo nega relações com Cachoeira após oito horas de depoimento
Perillo nega relações com Cachoeira após oito horas de depoimento Foto : Wilson Dias / ABr / CP
Durou mais de oito horas e terminou no início da noite o depoimento do governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) à comissão Parlamentar de inquérito (CPI) mista que investiga as relações criminosas do bicheiro Carlos Cachoeira com agentes públicos e privados. O momento mais polêmico da sessão ocorreu quanto o relator Odair Cunha (PT-MG) perguntou se o governador disponibilizaria seu sigilo telefônico para as apurações, o que provocou protestos de parlamentares do PSDB.

Os parlamentares da legenda levantaram-se e lançaram palavras de ordem. "É um requerimento disfarçado de pergunta", protestou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), sentado na primeira fila. "Isso não é admissível. O colegiado tem que decidir", afirmou.

Para defender a posição, Cunha disse que Perillo "é, sim, investigado". Foi o suficiente para gerar nova onda de protestos dos tucanos. "O relator não sabe separar testemunha de investigado", questionou novamente Sampaio. O relator rapidamente fez uma correção, dizendo que Perillo comparece à CPI como testemunha de uma investigação. Cunha lembrou que pelo menos seis pessoas importantes do governo de Goiás foram envolvidas com o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. "Não é pouca coisa: o governador vem aqui e diz que não se lembra, não sabe das coisas", afirmou o relator, ressaltando que há quem esteja "antecipando uma conclusão que eu não concordo".

Cunha disse que a versão do governador tem início, meio e fim, mas é preciso investigar. "Aqui há o benefício da dúvida, mas sem conclusões precipitadas", destacou. Logo em seguida, Perillo disse que a manifestação "incisiva" de Cunha não seria uma antecipação do que será apresentado no relatório. O governador de Goiás relatou não ver "motivos suficientes" para que seus sigilos bancário, fiscal e telefônico sejam quebrados.

Perillo argumentou que, das 30 mil gravações telefônicas interceptadas pela PF durante três anos, em apenas uma houve uma ligação para cumprimentar Cachoeira pelo aniversário. O governador negou também conhecer o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. A sessão começou às 10h20min e terminou perto das 19h.


*Com informações da Agência Estado.


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