A Justiça Federal em Brasília determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas casas de Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, mas negou o pedido de prisão dos irmãos sob o argumento poderia "abalar ainda mais a já afetada imagem" da empresa. Foi ordenada, alternativamente, a apreensão dos passaportes de investigados.
A medida faz parte da Operação Bullish, que apura supostos ilícitos em aportes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no grupo empresarial. Também é alvo da medida o ex-presidente do banco Luciano Coutinho.
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De acordo com a PF, o BNDES fez aportes superiores a R$ 8 bilhões na holding dos irmãos Batista, a partir de 2007, para a sua expansão. Parte dos recursos foi injetada pelo BNDESPar, braço do banco para a aquisição de empresas, por meio da subscrição de ações da JBS.
Ao menos 21 pessoas estão na mira da PF. Além dos mandados de busca e apreensão, também foram determinadas conduções coerticivas de envolvidos. No caso de Coutinho, não foi cumprido o mandado de condução coercitiva, uma vez que ele está no exterior.
A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) indica que houve desistência da compra da National Beef, sem a devolução dos recursos empregados. Também aponta a compra de ações do grupo por preços mais altos que os praticados no mercado, o que teria resultado num prejuízo de R$ 30 milhões. Houve ainda, segundo os investigadores, dispensa de garantias necessárias aos negócios e aprovação de investimentos em prazo exíguo para a análise das operações.
A 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, considerou que há indícios de irregularidades graves. "Os fatos indicam ao menos uma atuação temerária e incompatível com a prudência que operações desse porte estão a requerer, havendo, talvez, a configuração de crime de gestão temerária, cuja pena também é elevada (de dois a oito anos)", diz trecho da decisão que autorizou as medidas.
O documento destaca que há indícios também de corrupção, citando delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, que relatou à Lava Jato suposto pagamento de propina, pela JBS, ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
A decisão cita também o fato de o grupo ser grande financiador de partidos políticos, "uma vez que a lógica dessa doação seria a de obter facilidades posteriores". Levanta ainda a possibilidade de os novos rearranjos na estrutura social do grupo terem como propósito a lavagem de dinheiro.
Os investigados tiveram bens bloqueados. Os irmãos Batista, que já são alvo de outras operações, estão proibidos de fazer mudanças na estrutura de suas empresas e de abrir novas companhias no Brasil e no exterior.
O que diz a JBS
A JBS distribuiu comunicado sobre a Operação Bullish, deflagrada nesta sexta-feira, pela Polícia Federal, reafirmando que todo o investimento do BNDES na empresa foi feito por meio da BNDESPar, seu braço de investimentos, quando a companhia já possuía ações listadas em bolsa, "em consonância com a legislação do mercado de capitais brasileiro, sem qualquer favorecimento à companhia".
"Todas as transações realizadas entre a BNDESPar e a companhia foram divulgadas ao mercado por meio de comunicados ao mercado e fatos relevantes, disponíveis no site da CVM e no site de relações com investidores da JBS", reafirmou a empresa há pouco em comunicado distribuído por meio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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