Política

PMDB lança Renan Calheiros à Presidência do Senado

Cotado para substituir Sarney no cargo sequer concedeu entrevista em seu anúncio

Cotado para substituir Sarney no cargo sequer concedeu entrevista em seu anúncio
Cotado para substituir Sarney no cargo sequer concedeu entrevista em seu anúncio Foto : Antônio Cruz/ABr/CP
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), foi lançado oficialmente pela bancada do partido como candidato à Presidência da Casa. Renan Calheiros obteve o apoio de todos os 19 senadores da legenda presentes ao encontro. Logo após a reunião, o candidato peemedebista, que tenta retornar ao comando do Senado após quase seis anos, não apareceu para falar com a imprensa. Coube ao senador e presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), o anúncio da indicação de Renan.

"A candidatura não pertence até este presente momento ao senador Renan e sim ao partido. Pertence à bancada e ao partido, que deliberou para o último dia. Ele estava construindo a candidatura", justificou Valdir Raupp, aos jornalistas, em entrevista ao final do encontro. Raupp disse que Renan Calheiros apresentará nesta sexta-feira, durante a eleição, uma plataforma para comandar o Senado pelos próximos anos, tendo como itens redução de gastos da Casa e uma pauta de votações com temas ligados ao pacto federativo.

“É um líder nato”

Valdir Raupp rejeitou a suspeita de que a indicação de Renan Calheiros causasse constrangimento para o partido. Na semana passada, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou Calheiros pelos crimes que o levaram a abdicar do comando da Casa, o que aumentou a pressão contrária à sua candidatura. "Em absoluto (que há constrangimento). O senador Renan não tem julgamento, nenhuma condenação. É um líder nato, construiu dentro da bancada e fora dela (apoio), portanto, deve ser eleito na manhã de sexta-feira para a presidência do Senado Federal", afirmou.

O presidente do partido também não crê em desgaste da legenda com a indicação de Renan. "O preço do PMDB é ver restabelecida a democracia no Brasil, ter ajudado governos a desenvolver o País. Ajudou no governo Fernando Henrique, no governo Lula, da presidente Dilma, com o presidente Sarney com Tancredo Neves. O PMDB é hoje o segundo partido mais lembrado pela população brasileira pelo trabalho que tem feito", afirmou.

Crítica ao PSDB

Valdir Raupp criticou a decisão do PSDB de apoiar a candidatura do senador Pedro Taques (PDT-MT) e, com isso, quebrar a tradição da proporcionalidade das bancadas para ocupação dos cargos da Mesa Diretora. Como terceira maior bancada do Senado, caso apoiassem os peemedebistas (a maior bancada) os tucanos teriam direito a fazer a terceira indicação para compor a Mesa. Teriam direito, em tese, a reivindicar a Primeira Secretaria, espécie de "prefeitura do Senado", cargo que atualmente é ocupado pelo tucano Cícero Lucena (PB).

"Eu lamento profundamente que se esteja quebrando a proporcionalidade da Casa", criticou Valdir Raupp. Taques conta com o apoio declarado dos tucanos, do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), integrante do grupo dos independentes que abriu mão de candidatura própria, e do presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN).

O partido também decidiu formalizar o nome de Eunício Oliveira (CE) como novo líder da bancada e do senador Romero Jucá (RR) como indicado para ocupar a Segundo Vice Presidência do Senado. Jucá ameaçou disputar com Eunício o posto de líder.

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