O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, afirmou que não colocará em votação uma proposta de anistia "ampla, geral e irrestrita" para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Em entrevista ao jornal O Globo, Alencar declarou que anistiar "agentes de Estado seria inconstitucional" e que aqueles que atentaram contra a democracia devem ser punidos.
A proposta em questão, articulada pelo bolsonarismo na Câmara, busca perdoar o ex-presidente Jair Bolsonaro e todos os alvos do STF por atos antidemocráticos desde 2019. A anistia alcançaria até mesmo o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado por suposta coação ao STF. O senador criticou a "arrogância" da postura de Eduardo Bolsonaro, que teria condicionado o fim das sanções dos EUA à anistia de seu pai.
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Proposta alternativa e ameaças do PL
Otto Alencar considera legítima a discussão de uma proposta alternativa, articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A ideia de Alcolumbre é fazer distinções entre os envolvidos nos atos golpistas. A anistia não se aplicaria a agentes de Estado e financiadores, mas poderia beneficiar pessoas com menor envolvimento, como "as velhinhas" e quem danificou o relógio ou "sentou na cadeira do Moraes".
Enquanto isso, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ameaçou "parar" o Congresso Nacional caso a anistia generalizada não seja votada. Ele afirma ter a maioria necessária para aprovar a proposta na Câmara. A declaração ocorre no mesmo dia em que o STF retomou o julgamento do núcleo crucial da trama golpista.