Alvo de disputa interna, o PSB gaúcho está sem comando. A situação é admitida por diferentes lideranças da sigla no Estado, que evitam se manifestar publicamente. Ela se dá porque, até o momento, a direção nacional não homologou a eleição da nova executiva do partido, realizada no mês de abril. E o mandato da executiva anterior venceu em 31 de julho.
Via assessoria, o diretório do RS confirmou nesta quarta-feira que Mario Bruck, presidente até 31 de julho, não comanda mais a legenda. E que o presidente eleito em abril, o atual diretor da Fase, José Luiz Stédile, não assumiu. A assessoria não soube informar se Stédile pode responder interinamente pelo partido.
No site do diretório gaúcho, até a manhã desta quarta, é o nome de Bruck que segue como o de presidente. Há expectativa no RS de que o caso tenha um desfecho nos próximos dias. A direção nacional não confirma esta possibilidade. A informação em Brasília é de que o caso do RS só será decidido na próxima reunião da executiva nacional, que ainda não tem data para acontecer.
Basicamente, o impasse se dá em função da disputa entre dois grupos no Estado. O que comandou a legenda até o final de julho e elegeu a nova direção, e do qual fazem parte os dois únicos parlamentares da sigla, o federal Heitor Schuch e o estadual Elton Weber. E o grupo encabeçado pelo ex-deputado federal Beto Albuquerque, que tenta retomar o controle da legenda.
Como pano de fundo a disputa interna é alimentada pela orientação política do partido no RS. O grupo de Schuch e Weber é o que levou a sigla para a base do governador Eduardo Leite (PSD), possui cargos na administração, defende a continuidade do alinhamento e o apoio à candidatura do vice, Gabriel Souza (MDB), ao Piratini no próximo ano.
Beto quer que o partido siga a orientação nacional, se reaproxime do governo do presidente Lula (PT) e do PT gaúcho para formar uma aliança no RS em 2026. Ele acena com a possibilidade de atrair a ex-deputada Manuela D’Ávila, virtual candidata ao Senado, para a agremiação.
À direção nacional, os gaúchos alinhados ao atual governo do Estado argumentam que, no RS, o PSB tem um eleitorado de centro-direita, e que uma guinada à esquerda inviabilizaria inclusive a reeleição dos atuais deputados. Ambos avaliam inclusive sair do partido se esta mudança ocorrer. O contra-argumento de Brasília é que o PSB é de centro-esquerda, não tem identificação com as práticas do governo Leite, e que estará na aliança de Lula em 2026.
Poderá servir de mote para mudanças um relatório elaborado pelo grupo liderado por Beto, no qual são apontadas irregularidades na eleição da executiva gaúcha realizada em abril. O relatório está pronto. Mas precisa ser votado pela executiva nacional. Quando ela se reunir.
Além da questão do relatório, a posse do novo comando gaúcho ficou em suspenso em função das regras internas do partido. Por elas, quando um estado faz menos de 5% do número de parlamentares eleitos pela sigla para a Câmara dos Deputados, a nacional precisa reconhecer o resultado dos congressos que elegem novos comandos. Se não reconhecer, pode nomear uma comissão provisória.
No início de julho o presidente nacional, João Campos, conversou com Schuch, e sugeriu a possibilidade de uma composição dos dois grupos no comando do RS, mas o deputado argumentou que a nova executiva havia sido eleita de forma legítima e democrática. Em 29 e 30 de julho foi a vez de Stédile se reunir com integrantes da direção nacional em Brasília. O vice-presidente de Relações Interpartidárias e ex-presidente do PSB, Carlos Siqueira, registrou um dos encontros no Instagram, e se referiu a Stédile como presidente eleito no RS, mas as negociações não avançaram.
A nacional voltou a sugerir nomear uma comissão provisória meio a meio entre o grupo de Beto e o dos parlamentares no Estado. Os que venceram o congresso de abril, deputados inclusos, não aceitaram. O grupo da executiva gaúcha eleita resume o impasse em uma frase: “Ou eles reconhecem nosso congresso, ou podem dar o partido para o Beto.”