Política

Raquel Dodge quer recorrer de decisão do Supremo em delações sobre Lula

Fachin, relator da Lava Jato, e Celso de Mello, votaram pela manutenção das denúncias

Raquel Dodge quer recorrer de decisão do Supremo em delações sobre Lula
Raquel Dodge quer recorrer de decisão do Supremo em delações sobre Lula Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, confirmou nesta sexta-feira que pretende recorrer da decisão da Segunda Turma de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que tirou do juiz Sérgio Moro trechos de delações da Odebrecht sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato.

A confirmação foi feita em Paris, onde a magistrada tem agenda oficial sobre a cooperação com o Ministério Público francês a respeito de corrupção envolvendo os Jogos Olímpicos, a compra de submarinos e o caso Areva.

Raquel Dodge está em Paris desde quarta-feira. Na quinta-feira ela participou de uma conferência na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o financiamento do terrorismo, mas não falou com os jornalistas.

Nesta sexta-feira, antes de reunião com a procuradora-geral francesa da Corte de Apelações, Catherine Champrenault, a chefe da PGR confirmou que pretende contestar a decisão do STF sobre os processos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. Segundo a procuradora, um estudo está sendo realizado pela PGR, que no entanto ainda aguarda a publicação do acórdão da decisão para definir "qual recurso é cabível" e "qual é o limite da impugnação".

Raquel Dodge reiterou que o tema é "uma de suas prioridades no retorno ao Brasil" e que seu desejo é entrar com o recurso. "O ajuizamento está sendo estudado, (assim como) as possibilidades de haver recurso sobre o assunto", disse a procuradora. "A minha expectativa é de que caiba um recurso e que nós consigamos apresentar um argumento cabível de ser examinado nessa fase processual e nessa situação."

Na terça-feira a Segunda Turma do STF decidiu por 3 votos a 2 retirar os trechos da delação de ex-executivos da construtora Odebrecht que constavam nos processos presididos por Sérgio Moro e pela Justiça do Paraná. O principal argumento dos ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, que votaram a favor da transferência, foi que as informações obtidas com os ex-funcionários da Odebrecht não têm relação com a corrupção na Petrobras, e logo não poderiam ser usadas no quadro da Operação Lava Jato.

Os ministros Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato, e Celso de Mello, votaram pela manutenção das delações em Curitiba.